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Aposta no gás natural e em soluções integradas impulsiona expansão da Origem Energia

ResumoA Origem Energia estruturou operação focada em gás natural terrestre e integração de infraestrutura. A empresa atua em quatro Estados e projeta R$ 2 bilhões em receitas para 2026. A expansão baseia-se em soluções integradas de cadeia de valor, incluindo processamento e logística. O crescimento visa consolidar posição no mercado brasileiro de energia.

A Origem Energia estruturou sua operação focada no gás natural terrestre e na integração de infraestrutura. Com presença em quatro Estados, mira R$ 2 bilhões em receitas para 2026.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 04 de setembro de 2026
Aposta no gás natural e em soluções integradas impulsiona expansão da Origem Energia

A busca global por segurança energética e diversificação de matrizes tem impulsionado a expansão de companhias dedicadas a fontes domésticas no Brasil. Dentro desse cenário, a Origem Energia estruturou sua operação focando no desenvolvimento do gás natural terrestre e na integração de infraestrutura. Com presença em quatro Estados brasileiros, a empresa mira alcançar mais de R$ 2 bilhões em receitas para o ano de 2026.

Conforme o CEO e um dos fundadores da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, a criação da companhia há cerca de dez anos surgiu após identificarem que a indústria nacional de gás natural sofria com uma concentração excessiva. O executivo participou do Expert Talks, conduzido pelo estrategista-chefe e head do Research da XP, Fernando Ferreira, e pelo head de óleo e gás da instituição, Regis Cardoso, onde ressaltou que a proposta inicial visava alterar o modelo de importação de combustíveis adotado no país.

"A Origem sempre foi pensada como uma empresa de soluções energéticas integradas para mudar um modelo que a gente julgava errado no Brasil, de importação de combustível. A gente achava que o Brasil precisava se voltar mais para as suas fontes domésticas de geração primária de energia, em especial", disse Coutinho.

Nos primeiros anos, a empresa aproveitou oportunidades geradas pela concentração da indústria petrolífera tradicional. A Origem figurou como única ofertante na aquisição do Polo Tucano Sul, na Bahia, primeiro ativo de gás natural alienado pela Petrobras (PETR4). Outro movimento relevante foi a compra do Polo Alagoas, área com potencial para expansão de reservas e menor histórico de intervenção anterior.

"A bacia de Alagoas não é uma bacia madura, e sim uma bacia em desenvolvimento com muito potencial de incremento de reservas. E a explicação para isso é que a Petrobras não queria gás natural no passado", disse Coutinho.

Embora o petróleo possa apresentar margens superiores em janelas temporais de curto prazo quando a cotação do Brent se mantém alta, a previsibilidade dos contratos de gás natural oferece proteção de caixa mais consistente em horizontes de dez a 15 anos. Na avaliação do executivo da Origem Energia, a receita protegida no longo prazo tende a superar a oscilação do mercado internacional de commodity.

"Quando olho para um fluxo de caixa mais previsível, mais protegido ao longo de 10, 15 anos, se fizer a conta, muito provavelmente o gás vai ter uma economicidade mais interessante que o nível do Brent", afirmou.

A transição global para projetos focados na soberania e no acesso a fontes energéticas firmes reflete transformações na concorrência demográfica por recursos e no perfil do consumo de eletricidade, acelerado pelo avanço do processamento de dados e da inteligência artificial. Segundo Coutinho, o Brasil apresenta vantagens competitivas para atração de data centers devido à diversidade de fontes, mas enfrenta entraves legislativos e disparidades no custo da energia para o consumidor final.

Na visão do CEO, a região Nordeste possui condições favoráveis para a produção onshore competitiva, necessitando de adequação regulatória para acelerar investimentos. A aceleração da busca mundial por segurança acabou antecipando a consolidação da tese de negócios da empresa.

"A aceleração que teve para o tipo de solução que a gente oferece, foi o melhor dos cenários. A tese acabou se comprovando de uma maneira bem mais acelerada pelo que aconteceu no mundo", pontuou.

A evolução operacional da Origem Energia deu-se em três etapas: abertura inicial de poços de gás, intervenções de manutenção (workover) e perfuração de novos poços concomitante à manutenção dos existentes. No segundo trimestre de 2026, a empresa atingiu o patamar produtivo mais alto de sua história, com média diária de 16,9 mil barris de óleo equivalente. O volume representa expansão de quase 40% em relação ao primeiro trimestre e avanço de 28,2% ante o mesmo período de 2025, impulsionado pelas intervenções no Polo Alagoas.

"A gente tem toda uma bacia a ser desenvolvida e outros campos que ainda sequer começamos a tatear", disse Coutinho. Para viabilizar o crescimento, a companhia desenvolveu estudos para mapear reservatórios, elevou o padrão de prestadores de serviços e priorizou a internalização da mão de obra primária.

Após vencer o LRCAP 2026 (Leilão de Reserva de Capacidade de Potência), a companhia prevê o desenvolvimento de sete usinas termelétricas a gás natural em Alagoas, com início das operações projetado para 2028 e investimentos estimados em R$ 2 bilhões.

O encerramento do primeiro ciclo de cinco anos estabelece uma estrutura financeira resiliente para explorar oportunidades como a posição do Brasil no Atlântico Sul para exportação de soluções energéticas em um mercado com restrições comerciais.

"Os próximos cinco anos da Origem, a gente está começando a escrever agora. E eu diria que é muito promissor com aquilo que é valor inerente nosso: muita disciplina de capital, sem tomada de decisão irresponsável, buscando alocar naquilo que vai nos ajudar a ter double digits returns em dólar no longo prazo", disse Coutinho.

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