Brasil vira maior importador de carros chineses: alerta para locadoras da B3?
O Brasil tornou-se o maior importador global de carros chineses no acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. O movimento acende alertas para locadoras como Localiza e Movida, expostas à depreciação de frotas diante do avanço chinês no mercado.
Brasil vira maior importador de carros chineses: mais um alerta para locadoras da B3?
O Brasil tornou-se o maior importador global de automóveis chineses no acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras, alta de 146,9% sobre o mesmo período de 2025. Desse total, US$ 4,5 bilhões foram em veículos eletrificados. O movimento acende alertas para locadoras da B3, como Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3), expostas à depreciação de frotas diante do avanço chinês no mercado.
A escalada das importações de carros chineses pelo Brasil
No ano passado, no mesmo período, o Brasil havia comprado US$ 2,1 bilhões e era apenas o sexto maior importador de carros chineses. A aceleração refletiu, em parte, a antecipação de compras antes da elevação das tarifas de importação para 35% em julho de 2026.
Segundo números do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), considerando todo o primeiro semestre, as importações de veículos eletrificados chineses pelo Brasil somaram US$ 5,35 bilhões. As compras de automóveis chineses responderam por aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou do país asiático, calcula a entidade.
Impacto no mercado interno: vendas de eletrificados disparam
As vendas domésticas de veículos leves eletrificados tiveram alta de 125% no 1º semestre de 2026, para 215 mil unidades, superando amplamente o crescimento de 19,4% do mercado automotivo total.
Apesar das tarifas mais altas e dos planos de produção local de montadoras chinesas, especialistas veem a expansão dos veículos chineses como estrutural, apoiada por preços competitivos, tecnologia e maior aceitação dos consumidores.
O alerta do Bradesco BBI para Localiza e Movida
Conforme destaca o Bradesco BBI, o apetite das montadoras chinesas pelo mercado brasileiro segue elevado, enquanto o forte fluxo de importações antes do aumento tarifário eleva o estoque disponível e pode intensificar a competição comercial no país.
Para o segundo semestre de 2026, a visão do banco é de que os estoques locais elevados e novos lançamentos possam representar risco adicional para as despesas de depreciação de Localiza e Movida, especialmente em segmentos mais expostos à concorrência de veículos eletrificados e SUVs chineses.
O que diz o Goldman Sachs sobre a depreciação de frotas
Em análise recente, o Goldman Sachs já alertava para a rápida expansão das montadoras chinesas no mercado brasileiro de veículos. Com a forte entrada de veículos chineses, os preços mais baixos no mercado primário podem se traduzir, ao longo do tempo, em maior depreciação das frotas ou em redução dos preços de venda, afetando também a rentabilidade futura do setor.
De acordo com o banco, no caso da Localiza, para cada 1% de variação nos preços dos carros novos no Brasil, estima-se um impacto de R$ 570 milhões no valor contábil da frota. Considerando um ciclo de vida dos veículos de 18 meses, isso implicaria um impacto negativo no lucro líquido anual de cerca de R$ 300 milhões, o equivalente a 6% do lucro esperado para 2027. Em 2024, a empresa já havia registrado um ajuste (impairment) de R$ 1,4 bilhão, cerca de 2,5% do valor da frota.
Projeções de longo prazo: participação chinesa no mercado brasileiro
Segundo estimativas feitas no primeiro semestre pelo ex-presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb, as marcas chinesas podem responder por cerca de 35% do mercado brasileiro de veículos até 2035, ante aproximadamente 10% em 2024 e uma projeção de 20% para 2030.
De acordo com Golfarb, mesmo com a migração gradual para a produção local, as montadoras chinesas devem manter elevada competitividade, sustentada não apenas por subsídios, mas por ganhos de escala, integração produtiva e acesso a componentes importados de baixo custo, especialmente em tecnologias mais avançadas, como veículos elétricos e híbridos.
Fatores mitigadores para as locadoras, segundo o BBI
Mesmo com esse impacto, para o Bradesco BBI, os efeitos podem ser administráveis para as locadoras, considerando alguns fatores mitigadores já mapeados. Entre eles: o maior foco das locadoras em SUVs, segmento historicamente mais resiliente; a elevação das tarifas de importação, que limita políticas de desconto muito agressivas; e condições comerciais mais favoráveis para empresas de locação, que preservam parte do poder de barganha do setor.
Perguntas Frequentes
Como o Brasil se tornou o maior importador de carros chineses?
O Brasil assumiu a liderança global no acumulado de janeiro a maio de 2026, com US$ 5,2 bilhões em importações de automóveis chineses, alta de 146,9% sobre 2025. A antecipação de compras antes da elevação das tarifas para 35% em julho acelerou o movimento.
Qual o impacto das importações chinesas para Localiza e Movida?
Segundo o Bradesco BBI, estoques elevados e novos lançamentos podem aumentar as despesas de depreciação das locadoras, especialmente em segmentos expostos a veículos eletrificados e SUVs chineses. O Goldman Sachs estima que cada 1% de variação nos preços de carros novos impacta R$ 570 milhões no valor contábil da frota da Localiza.
As tarifas de importação de 35% já estão em vigor?
Sim, a elevação das tarifas para 35% entrou em vigor em julho de 2026. Parte do forte fluxo de importações no primeiro semestre refletiu a antecipação de compras antes desse aumento.
Qual a projeção de participação das marcas chinesas no Brasil?
Segundo o ex-presidente da Anfavea Rogélio Golfarb, as marcas chinesas podem responder por cerca de 35% do mercado brasileiro até 2035, ante 10% em 2024 e projeção de 20% para 2030.
Há fatores que podem mitigar o risco para as locadoras?
Sim. O Bradesco BBI aponta que o foco das locadoras em SUVs, a elevação das tarifas de importação e as condições comerciais mais favoráveis para empresas de locação ajudam a preservar parte do poder de barganha do setor.