Taxas dos DIs perdem força sob influência do Fed, mas fecham com altas leves
As taxas dos DIs chegaram a cair durante a tarde após comentários do chair do Fed, Kevin Warsh, mas fecharam em alta leve, com o petróleo Brent superando US$ 90 e dados do Caged acima do esperado, embora no pior ritmo para junho desde 2020.
Taxas dos DIs sob influência do Fed: o que mudou no mercado de juros futuros
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) no Brasil fecharam a sessão de 29 de julho com altas leves, após um dia de forte volatilidade. Os contratos futuros chegaram a cair durante a tarde, influenciados por comentários do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, e pelo avanço do petróleo Brent acima de US$ 90 o barril, mas recuperaram parte das perdas no fechamento.
Após sustentarem ganhos firmes de mais de 10 pontos-base pela manhã, as taxas dos DIs chegaram a virar para o negativo durante a tarde, em meio a comentários de Warsh, mas encerraram a sessão regular com altas leves, num dia em que o petróleo no exterior voltou a superar os US$ 90.
Como o Fed influenciou as taxas dos DIs
O Federal Reserve manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, como esperado pelo mercado. A decisão foi dividida: nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, enquanto três defenderam um aumento de 25 pontos-base já na reunião.
Logo após o anúncio, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo e as taxas dos DIs desaceleraram os ganhos. Durante a entrevista coletiva de Warsh, o enfraquecimento se consolidou. Warsh ressaltou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e disse que a instituição não hesitará em agir. Ao mesmo tempo, citou dados de inflação "animadores" e afirmou que os membros do comitê continuarão a acompanhar as informações de mercado.
"Parte dos dirigentes (do Fed) continua demonstrando preocupação com uma inflação que segue acima da meta e defende uma postura mais restritiva, o que levou os investidores a aumentar a probabilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses", ponderou Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments. "Esse cenário pressiona principalmente a curva de juros americana, especialmente nos vencimentos mais curtos, e acaba refletindo também nos mercados emergentes, como o Brasil", acrescentou.
Petróleo Brent e impacto na curva de juros brasileira
O avanço firme do petróleo Brent no exterior, para acima dos US$ 90 o barril, foi outro fator de suporte para a curva brasileira, em meio às preocupações do mercado com o efeito inflacionário da guerra no Oriente Médio. A alta da commodity pressiona as expectativas de inflação, o que se reflete nos prêmios de risco embutidos nas taxas futuras.
Dados do Caged e desaceleração do mercado de trabalho
No Brasil, a perda de força das taxas futuras ocorreu já após os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram abertura de 145.161 vagas formais de trabalho em junho, acima dos 115.000 postos projetados por economistas ouvidos pela Reuters.
Apesar do resultado acima do esperado, o saldo de junho foi o menor para o mês desde 2020, quando 53.381 vagas foram fechadas durante a pandemia de Covid-19. Para o economista Rodolfo Margato, da XP, há sinais de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, e não de contração. "Projetamos que o ritmo médio de criação de empregos formais arrefecerá de aproximadamente 110 mil por mês em 2025 para 80 mil por mês em 2026", afirmou Margato em comentário escrito.
Variação das taxas dos DIs ao longo do dia
O DI para janeiro de 2028 fechou a 13,995%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,976% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,68%, com aumento de 4 pontos-base ante 14,64%.
Durante o dia, o DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,070% (+9 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 13,925% (-5 pontos-base) às 16h02, em meio aos comentários de Warsh. Já o DI para janeiro de 2035 variou entre a máxima de 14,695% (+6 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 14,585% (-6 pontos-base) às 15h, no minuto do anúncio do Fed.
O viés de baixa, no entanto, não se consolidou no Brasil, com as taxas voltando a exibir altas nos contratos a partir de janeiro de 2028, ainda que distantes das máximas do dia.
Treasuries e o cenário global
Às 16h47, o rendimento do Treasury de dois anos, que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo, tinha queda de 4 pontos-base, a 4,234%, após ter sustentado ganhos firmes antes da decisão do Fed. Já o retorno do rendimento de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 6 pontos-base, a 4,665%.
Perguntas Frequentes
O que fez as taxas dos DIs oscilarem durante o dia?
As taxas dos DIs oscilaram por influência de comentários do chair do Fed, Kevin Warsh, e pelo avanço do petróleo Brent acima de US$ 90, além dos dados do Caged no Brasil.
O Fed mudou a taxa de juros na reunião?
O Fed manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas a decisão foi dividida, com três membros votando por um aumento de 25 pontos-base.
Qual foi o saldo de empregos formais no Brasil em junho?
O Caged mostrou abertura de 145.161 vagas formais em junho, acima dos 115.000 esperados, mas o pior resultado para o mês desde 2020.
Como o petróleo influenciou as taxas dos DIs?
O petróleo Brent subiu acima de US$ 90, pressionando as expectativas de inflação e dando suporte à curva de juros brasileira.
O que esperar das taxas dos DIs nos próximos meses?
O mercado acompanha a postura do Fed e os dados de inflação e emprego no Brasil, com projeções de desaceleração do mercado de trabalho e possíveis novos apertos monetários.