Economia

Dívida Pública sobe 2,61% em junho e supera R$ 9,2 trilhões; entenda

ResumoA Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,66% em junho de 2025, atingindo R$ 9,033 trilhões. O aumento foi impulsionado pela emissão de títulos atrelados à taxa Selic e pela apropriação de juros. O estoque total da dívida pública superou R$ 9,2 trilhões no período.

A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,66% em junho e atingiu R$ 9,033 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. A alta foi puxada pela emissão de títulos vinculados à Selic e pela apropriação de juros. Entenda os números e o que esperar para o ano.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 29 de julho de 2026
Dívida Pública sobe 2,61% em junho e supera R$ 9,2 trilhões; entenda

Dívida Pública sobe 2,66% em junho e supera R$ 9,2 trilhões

A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,66% em junho, passando de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões, segundo números divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Tesouro Nacional. O principal motor foi a emissão forte de títulos vinculados à Taxa Selic (juros básicos da economia). A Dívida Pública sobe 2,61% em junho e supera R$ 9,2 trilhões, mas o estoque ainda está abaixo da previsão do Plano Anual de Financiamento (PAF), que estima o indicador entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o fim de 2026.

Resposta direta: A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 2,66% em junho, passando de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. O principal motor foi a emissão de títulos atrelados à Selic, que somou R$ 102,57 bilhões. A apropriação de juros, de R$ 85,16 bilhões, também pressionou o endividamento.

Por que a Dívida Pública subiu em junho?

A alta de 2,66% reflete dois movimentos principais. O Tesouro Nacional emitiu R$ 143,35 bilhões em títulos a mais do que resgatou, com destaque para papéis ligados à Selic. Ao mesmo tempo, a apropriação de juros, mecanismo pelo qual o governo reconhece mês a mês a correção dos juros sobre os títulos, adicionou R$ 85,16 bilhões ao estoque. Com a Selic em 14,25% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), esse processo pressiona o endividamento.

Em junho, o Tesouro emitiu R$ 149,49 bilhões em títulos da Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi). Desse total, R$ 102,57 bilhões corresponderam a títulos vinculados à Selic. Os resgates somaram apenas R$ 6,14 bilhões, um volume baixo para os padrões do Tesouro, num mês quase sem vencimentos.

Como ficou a Dívida Pública Mobiliária interna?

A DPMFi, que concentra os títulos em mercado doméstico, avançou 2,72%, passando de R$ 8,962 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho. O dado reflete a mesma dinâmica de emissões concentradas em papéis pós-fixados.

E a Dívida Pública Federal externa?

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 2,12%, de R$ 340,49 bilhões em maio para R$ 347,71 bilhões em junho. O principal fator foi a alta de 2,37% do dólar no mês passado, que elevou o valor dos títulos corrigidos pela moeda americana.

Colchão da dívida atinge recorde histórico

Após quedas nos meses anteriores, o colchão da dívida pública, reserva financeira usada em momentos de turbulência ou forte concentração de vencimentos, subiu. A reserva passou de R$ 1,211 trilhão em maio para R$ 1,346 trilhão em junho, o maior nível desde o início da série histórica, em 2015. Segundo o Tesouro Nacional, o principal motivo foram as emissões superiores aos resgates no mês passado.

Atualmente, o colchão cobre 8,33 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,86 trilhão em títulos federais.

Composição da dívida: mais Selic, menos prefixados

Com a forte emissão de títulos vinculados à Selic, a composição da DPF variou. O PAF prevê que os títulos encerrarão o ano em intervalos específicos. Normalmente, os papéis prefixados indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade, as emissões caem, já que os investidores pedem juros muito altos, o que comprometeria a administração da dívida do governo.

Em relação aos papéis vinculados à Selic, esses títulos atraem o interesse dos compradores por causa dos juros altos definidos pelo Copom. A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa.

Prazo médio da dívida cai

O prazo médio da DPF caiu de 4,07 para 4,01 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses. Esse intervalo médio indica quanto tempo o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos.

Quem detém a dívida pública?

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna ficou a seguinte: com a maior tensão no mercado financeiro em junho, com a guerra no Oriente Médio, a participação dos não residentes (estrangeiros) caiu em relação a maio, quando estava em 10,14%. Quanto maior a fatia de estrangeiros na dívida interna, maior a confiança no Brasil.

O que é a dívida pública e como funciona?

Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros. Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic, a inflação, o dólar ou ser prefixada.

Perguntas Frequentes

A dívida pública está controlada?

Apesar da alta, o estoque está abaixo do previsto no Plano Anual de Financiamento, que estima a DPF entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões para o fim de 2026.

O que é apropriação de juros?

É o mecanismo pelo qual o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública.

Qual o impacto da Selic alta na dívida?

Com a Selic em 14,25% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento, e títulos vinculados à taxa atraem mais investidores.

O que é o colchão da dívida?

É uma reserva financeira usada em momentos de turbulência ou forte concentração de vencimentos. Em junho, atingiu R$ 1,346 trilhão, recorde histórico.

Por que a participação de estrangeiros caiu?

Com a maior tensão no mercado financeiro em junho, devido à guerra no Oriente Médio, a fatia de não residentes na dívida interna caiu em relação a maio.

entenda a relação entre Selic e dívida pública o que é o Plano Anual de Financiamento do Tesouro

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