Economia

Xi defende laços econômicos maiores entre Brics

ResumoXi Jinping defendeu, na cúpula de Nova Délhi, maior cooperação econômica entre os países do Brics, com iniciativas em inteligência artificial, comércio e uma zona econômica especial. A Índia assume a presidência do bloco em 2026 e a China em 2027, dando continuidade à agenda de integração pragmática entre as economias do Grande Brics.

Na cúpula de Nova Délhi, Xi Jinping defendeu cooperação pragmática entre as economias do Grande Brics, com iniciativas de IA, comércio e uma zona econômica especial. A Índia assume a presidência em 2026 e a China em 2027.

Wagner Sobral
Wagner Sobral Repórter de mercado financeiro · 14 de setembro de 2026
Xi defende laços econômicos maiores entre Brics

O presidente da China, Xi Jinping, divulgou neste domingo um conjunto de iniciativas que vão da inteligência artificial ao comércio para aprofundar a cooperação entre as economias emergentes do Grande Brics. O anúncio foi feito na cúpula anual de líderes do bloco, em Nova Délhi, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

O objetivo declarado é transformar o grupo em uma plataforma prática para o desenvolvimento do Sul Global. A cooperação em áreas que vão da política e segurança à economia e finanças é o foco principal, com a Índia assumindo a presidência em 2026 e a China em 2027.

Xi afirmou que o sucesso da Iniciativa do Grande Brics depende da construção de uma base sólida para a cooperação pragmática. Na sessão de encerramento, defendeu que os países do bloco mantenham a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento e cultivem um mercado integrado.

Entre as propostas está a criação de uma Zona de Código Aberto de IA do Brics, liderada pela China, para promover a cooperação em grandes modelos de linguagem, treinamento em inteligência artificial e um ecossistema aberto de IA. Xi também propôs uma parceria para uma Zona Econômica Especial do Brics e anunciou que a China sediará um Fórum de Comércio de Serviços do Brics no próximo ano.

O bloco se expandiu para incluir Irã, Indonésia, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, além dos membros originais (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Outros 10 países parceiros ampliam o alcance pelo Sul Global. China e Rússia às vezes chamam esse grupo maior de Grande Brics.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, declarou que os benefícios das soluções do Brics não devem se limitar ao bloco, mas ser adaptáveis ao Sul Global. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chamou o Brics de força motriz para uma ordem mundial nova, mais justa e multipolar, e pediu que os membros combinem as vantagens competitivas de suas economias.

A cúpula ocorre em meio à retomada dos combates na região do Golfo Pérsico, com ataques recíprocos entre Estados Unidos e Irã e ações dos houthis, apoiados pelo Irã, contra a Arábia Saudita. Ainda assim, o encontro alcançou um objetivo diplomático no sábado, ao chegar a um consenso sobre uma declaração conjunta apoiada por Irã e Emirados Árabes Unidos. O texto expressou profunda preocupação com a escalada da tensão no Oriente Médio e pediu máxima moderação.

À margem do evento, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, no encontro de mais alto nível entre autoridades dos dois países desde o início do conflito. Eles discutiram redução de tensão, estabilidade e esforços para promover paz e desenvolvimento regionais.

Para investidores, a agenda do Grande Brics sinaliza uma tentativa de criar estruturas próprias de comércio, tecnologia e financiamento. O avanço depende, porém, da capacidade de coordenação entre economias com interesses distintos, o que historicamente limita a velocidade das iniciativas. comércio exterior e acordos multilaterais

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