Taxas de juros curtas e intermediárias caem com dados no Brasil e EUA
As taxas dos DIs com prazos curtos e intermediários fecharam em baixa nesta quinta-feira, 30 de julho, influenciadas por dados econômicos no Brasil e nos EUA. O DI para janeiro de 2028 caiu a 13,88%, enquanto indicadores como IPCA-15 e IGP-M mostraram desaceleração.
Taxas de juros curtas e intermediárias caem em meio a dados no Brasil e nos EUA
As taxas dos DIs com prazos curtos e intermediários fecharam a quinta-feira, 30 de julho, com baixas, na esteira de uma bateria de dados econômicos divulgados no Brasil e no exterior. Enquanto isso, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo oscilaram entre a estabilidade e leves quedas, com os de longo prazo em alta.
DI para janeiro de 2028 recua com dados domésticos
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,88%, com queda de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,942% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,66%, com alta de 3 pontos-base ante 14,63%.
O recuo das taxas futuras curtas no Brasil ocorreu, conforme o economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano, pelo 'conjunto da obra', com vários fatores contribuindo para o movimento no dia.
'IPCA-15 baixo, deflação do IGP-M, atividade e confianças desacelerando, e lá fora os juros curtos estão caindo', disse Serrano pela manhã, fazendo referência ao resultado da última terça-feira do IPCA-15, que desacelerou mais que o esperado.
IGP-M cai 1,16% em julho e confiança no setor de serviços recua
Na manhã desta quinta-feira, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que seu Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) caiu 1,16% em julho, após recuo de 0,50% no mês anterior. A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 1,09%. Com o resultado, o índice passou a acumular em 12 meses alta de 2,76%.
Em outra divulgação, a FGV informou que o índice de confiança do setor de serviços recuou 3 pontos em julho, para 87,8 pontos.
Mercado de trabalho mostra sinais de desaceleração
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em junho foi de 5,4%, em linha com a projeção de economistas ouvidos pela Reuters. No mesmo período do ano passado, a taxa havia sido de 5,8%. A renda média real (descontada a inflação) dos trabalhos caiu 1,5% no trimestre até junho ante o trimestre anterior, para R$ 3.738. Em relação a um ano antes, houve alta de 2,8%.
Apesar da queda no desemprego, dados da PNAD mostram sinais de desaceleração lenta do mercado de trabalho, com estagnação da renda e alta da informalidade.
Arrecadação recorde e déficit primário preocupam
Ainda durante a manhã, a Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal teve alta real (descontada a inflação) de 7,72% em junho sobre o mesmo mês do ano passado, somando R$ 264,437 bilhões, maior nível já observado para o mês. No primeiro semestre, a arrecadação cresceu 6,63% acima da inflação, para R$ 1,587 trilhão, recorde para o período na série histórica iniciada em 1995.
À tarde, o Tesouro informou que o governo central teve um déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, contribuindo para gerar um rombo de R$ 92,227 bilhões no primeiro semestre, o pior resultado para o período desde 2020. O resultado de junho, porém, ficou praticamente em linha com os R$ 48 bilhões de rombo esperados pelo mercado.
Ainda que os resultados fiscais não sejam animadores, os agentes receberam positivamente notícias na imprensa de que o governo estuda a possibilidade de reduzir o limite anual de crescimento das despesas federais, reforçando o arcabouço fiscal.
Durante entrevista coletiva, o secretário do Tesouro Nacional substituto, David Athayde, foi questionado sobre possíveis efeitos de uma eventual redução de 2,5% para 1,5% no teto de crescimento real das despesas do governo ao ano. 'Essa é uma medida que está em estudo, a Fazenda sempre estuda medidas adicionais que possam contribuir para a consolidação fiscal em curso', confirmou.
Dados dos EUA também influenciam mercado
No exterior, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo oscilaram entre a estabilidade e leves baixas, o que também favorecia o viés negativo das taxas dos DIs. Já os rendimentos dos títulos norte-americanos de longo prazo subiam, em uma sessão também marcada por uma bateria de dados econômicos nos EUA.
O Departamento do Comércio dos EUA informou pela manhã que o Produto Interno Bruto (PIB) do país subiu 1,5% no segundo trimestre, menos que os 2,1% projetados em pesquisa da Reuters. Os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, dispararam 3,2% no período, após crescimento de apenas 0,5% de janeiro a março.
O núcleo do índice de inflação PCE, bastante observado pelo Fed, avançou 0,1% em junho, menos que o 0,2% esperado. Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA atingiram 197 mil na semana passada, levemente abaixo dos 200 mil projetados.
Às 16h37, o rendimento do Treasury de dois anos - que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo, mostrava estabilidade, a 4,238%. Já o retorno do título de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 5 pontos-base, a 4,667%.
Perguntas Frequentes
O que é DI (Depósito Interfinanceiro)?
É uma taxa de juros usada como referência para operações entre bancos no mercado interbancário brasileiro, influenciando diretamente os rendimentos de títulos de renda fixa.
Por que as taxas curtas caíram com dados fracos?
Dados como IPCA-15 baixo e IGP-M em deflação indicam desaceleração da inflação, o que reduz a pressão sobre o Banco Central para subir a Selic, favorecendo a queda das taxas de curto prazo.
Como os dados dos EUA afetam os juros no Brasil?
O PIB americano abaixo do esperado e a inflação PCE menor sinalizam possível corte de juros pelo Fed, o que reduz a atratividade dos Treasuries e pode direcionar fluxo para mercados emergentes como o Brasil.
O que é o arcabouço fiscal?
É o conjunto de regras que limita o crescimento das despesas federais. A possibilidade de reduzir o teto de 2,5% para 1,5% ao ano sinaliza compromisso com a consolidação fiscal.
Qual o impacto do déficit primário no mercado?
Déficits sucessivos aumentam a dívida pública e pressionam as taxas de juros de longo prazo, já que o governo precisa oferecer maior retorno para atrair compradores de seus títulos.