Moraes pede acesso a petição sigilosa antes de julgamento no STF
A 48h da sessão plenária, Alexandre de Moraes pede acesso a nova petição sigilosa ligada às investigações do Banco Master. André Mendonça informou que os elementos relevantes já estavam disponíveis, mas a disputa sobre provas se amplia.
O ministro Alexandre de Moraes fez neste domingo (13) um novo pedido de acesso a material sigiloso antes do julgamento de terça-feira (15), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) pode decidir sobre a abertura de investigação contra ele. Desta vez, o alvo é uma petição sob relatoria de André Mendonça, relacionada ao avanço das apurações sobre o Banco Master. Moraes deu 24h para a liberação dos documentos.
A solicitação amplia a disputa sobre quais provas devem chegar às mãos dos ministros antes da sessão plenária. Nas últimas horas, o conteúdo extraído de um celular de Daniel Vorcaro também entrou no centro do impasse, somando um novo procedimento sigiloso ao debate.
Disputa sobre provas chega às vésperas da sessão
Mais cedo neste domingo, Mendonça informou que os elementos considerados relevantes para o julgamento de terça já estavam disponíveis. A manifestação ocorreu em meio à pressão de ministros por acesso mais amplo aos dados reunidos nas investigações do Master.
Cristiano Zanin determinou neste domingo que a Polícia Federal entregue até as 23h uma cópia da mídia de um dos celulares de Vorcaro, apreendido em 18 de novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. O aparelho já passou por perícia. A PF informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que tem condições técnicas de compartilhar os dados preservando a cadeia de custódia e certificando a integridade das cópias.
Além de Zanin, Moraes e Gilmar Mendes pediram acesso ao conteúdo extraído do aparelho. A Procuradoria-Geral da República também defendeu o conhecimento integral do material para avaliar o contexto das mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes.
Mendonça se posicionou contra a abertura ampla dos dados neste momento. Segundo ele, a medida "somente contribuiria" para "tumultuar" o julgamento e poderia comprometer investigações ainda em andamento sobre o Banco Master.
O que o STF pode decidir na terça-feira
O relatório da PF que provocou a crise reúne mensagens e outros registros encontrados nos aparelhos de Vorcaro. Parte das respostas atribuídas a Moraes não pôde ser recuperada porque teria sido enviada por meio de arquivos de visualização única ou posteriormente apagada.
A PGR também questiona a validade do relatório e sustenta que houve irregularidades na forma como o material foi produzido sob a relatoria de Mendonça.
Antes de analisar se existem elementos para investigar Moraes, a Corte pode precisar definir qual conjunto de provas deve servir de base para a decisão. Caso o acesso seja concedido e os ministros entendam que os documentos precisam ser examinados antes da votação, a quantidade de material incorporada às vésperas da sessão pode pesar sobre o calendário do julgamento.