Déficit primário de R$ 55,313 bi em junho, diz BC
O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho, o maior para o mês desde 2021. No acumulado do ano, porém, há superávit de R$ 80,196 bilhões, segundo o Banco Central.
Setor público tem déficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho, afirma BC
Se você acompanha as contas públicas de perto, sabe que junho veio apertado. O setor público consolidado, que reúne governo central, Estados, municípios e estatais (à exceção de Petrobras e Eletrobras), fechou o mês com déficit primário de R$ 55,313 bilhões. O número foi divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira, 31, e superou a expectativa do mercado.
Qual foi o déficit primário de junho?
O déficit de R$ 55,313 bilhões veio mais intenso do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava R$ 49,300 bilhões. As estimativas, todas negativas, variavam de R$ 42,000 bilhões a R$ 56,400 bilhões. Ou seja, o resultado ficou perto do teto das projeções.
Para comparação, em maio o déficit havia sido de R$ 56,131 bilhões. Em junho de 2025, o resultado também foi negativo, em R$ 47,091 bilhões. Mas o número deste ano tem um peso histórico: foi o maior déficit para o mês desde junho de 2021, quando somou R$ 65,508 bilhões.
O que puxou o resultado negativo?
O governo central, que inclui Tesouro Nacional, Banco Central e INSS, teve déficit primário de R$ 55,169 bilhões em junho, segundo a metodologia da autoridade monetária. Estados e municípios, juntos, registraram resultado negativo de R$ 1,236 bilhão. Já as empresas estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, tiveram superávit de R$ 273 milhões.
Isoladamente, os Estados fecharam o mês com déficit de R$ 956 milhões, enquanto os municípios tiveram déficit de R$ 280 milhões. O quadro mostra que o peso do ajuste fiscal, neste mês, concentrou-se nas contas do governo central.
E o acumulado do ano?
Apesar do tom negativo de junho, o setor público consolidado acumula superávit primário de R$ 80,196 bilhões de janeiro a junho de 2026, informou o Banco Central. Esse montante equivale a 1,20% do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado do semestre reflete um superávit de R$ 93,375 bilhões nas contas do governo central, o equivalente a 1,40% do PIB. Os governos regionais, por sua vez, somaram superávit de R$ 22,061 bilhões, ou 0,33% do PIB. Já as empresas estatais acumulam déficit de R$ 8,882 bilhões, o que representa 0,13% do PIB.
Se você olhar só para Estados e municípios separadamente, o cenário é positivo: os Estados têm superávit de R$ 11,864 bilhões no acumulado (0,18% do PIB), e os municípios, saldo positivo de R$ 10,196 bilhões (0,15% do PIB).
Por que o déficit de junho importa para o seu bolso?
Quando o setor público gasta mais do que arrecada, o efeito costuma aparecer na trajetória da dívida pública e, mais adiante, nas condições de crédito e nos juros. Um déficit primário significa que, antes mesmo de pagar os juros da dívida, as contas já fecharam no vermelho. No acumulado do ano, porém, o superávit de R$ 80,196 bilhões indica que, até agora, o governo está conseguindo gerar receita suficiente para cobrir as despesas.
A leitura de quem acompanha o fiscal é de cautela. Um mês isolado não define a tendência, mas o tamanho do buraco em junho, acima do esperado, acende um alerta para os próximos meses. A pesquisa Projeções Broadcast já indicava que todas as estimativas eram negativas, então o mercado não esperava surpresa positiva.
O que observar daqui para frente?
Agora, o foco vira o comportamento das contas no segundo semestre. O resultado acumulado até junho dá uma folga, mas a dinâmica mensal precisa ser monitorada. Se o padrão de déficits se repetir, o superávit do ano pode encolher. Para quem organiza o orçamento familiar, a lógica é parecida: um mês de gastos extras não apaga a economia feita antes, mas exige revisão do planejamento.
Vale lembrar que o número de junho veio perto do limite superior das estimativas, o que reforça a cautela. A mediana das projeções ficou em R$ 49,300 bilhões, e o resultado real foi R$ 6,013 bilhões acima dela. como funciona o déficit primário
Perguntas Frequentes
O que é déficit primário?
É quando as despesas do setor público superam as receitas, sem contar os gastos com juros da dívida. Em junho, o déficit foi de R$ 55,313 bilhões, segundo o Banco Central.
Quem faz parte do setor público consolidado?
Governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS), Estados, municípios e empresas estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras.
Qual foi o maior déficit para o mês de junho?
O de junho de 2021, de R$ 65,508 bilhões. O déficit de junho de 2026, de R$ 55,313 bilhões, é o maior desde então.
O que significa o superávit acumulado de R$ 80,196 bilhões?
Significa que, de janeiro a junho de 2026, o setor público arrecadou mais do que gastou, antes do pagamento de juros. O valor equivale a 1,20% do PIB.
As estatais tiveram lucro ou prejuízo em junho?
As empresas estatais, fora Petrobras e Eletrobras, tiveram superávit de R$ 273 milhões em junho. No acumulado do ano, porém, há déficit de R$ 8,882 bilhões.
o que é resultado primário e nominal