Petróleo recua após forte alta com alerta da AIE sobre demanda
Brent recua 3,58% a US$ 103,78 após a AIE alertar para a maior contração da demanda global de petróleo desde a pandemia. A alta semanal ainda é a maior desde julho, mas o conflito no Oriente Médio segue no radar.
O preço do petróleo Brent operava em queda nesta sexta-feira (11), atenuando a forte alta acumulada na semana, depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou para uma piora nas perspectivas de consumo global neste ano. Às 8h40 no horário de Brasília, os contratos futuros de Brent para entrega mais próxima recuavam 3,58%, sendo negociados a US$ 103,78 o barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência americana, caía 2,17%, a US$ 99,23.
A queda interrompe, ao menos momentaneamente, uma sequência que levou o Brent a uma máxima em torno de US$ 108 na quinta-feira, com o WTI superando US$ 104. Mesmo com o recuo desta sexta, o preço de referência global ainda está a caminho de registrar seu maior avanço semanal desde julho, sustentado por um conflito no Oriente Médio que mostra poucos sinais de arrefecimento.
O alerta da AIE é o dado que desloca a leitura da semana. A agência afirmou que este ano registrará a maior contração na demanda global de petróleo desde a pandemia, resultado direto do aumento dos custos dos combustíveis e da redução da oferta. Ou seja: o mesmo movimento de preços que pressiona a inflação de quem enche o tanque também começa a corroer o consumo que sustenta a demanda.
No campo geopolítico, os houthis, apoiados pelo Irã, avançaram em direção às áreas costeiras que margeiam o estratégico Estreito de Bab al-Mandeb, ganhando terreno na investida para tomar Mokha, perto da extremidade sul do Mar Vermelho. Nas últimas duas semanas, os combates se intensificaram, com ataques dos houthis contra instalações de energia sauditas forçando a paralisação de algumas operações, e ataques dos EUA contra petroleiros iranianos. Um recente aumento nas compras de petróleo bruto pela China também apertou o mercado global.
"A retomada de uma guerra em grande escala entre a Arábia Saudita e os houthis seria um catalisador potencial para a concretização do nosso cenário de preços elevados do petróleo", escreveram analistas da RBC Capital Markets LLC, incluindo Helima Croft, em nota. Segundo eles, Mokha fica mais perto do Estreito de Bab al-Mandeb e "permitiria ao grupo projetar suas capacidades disruptivas mais ao sul, em direção aos pontos mais estreitos da hidrovia".
A logística já sente o efeito. Algumas exportações continuam a atravessar o Estreito de Ormuz, frequentemente em navios-tanque que navegam com transponders desligados para evitar detecção, ainda sob ameaça constante de ataques. A UK Maritime Trade Operations recebeu relatório de que dois navios foram atingidos por projéteis não identificados a oeste de Khasab, em Omã, na quinta-feira, o que destaca os perigos contínuos para a navegação.
Para o consumidor brasileiro, a tradução é direta: o alívio no preço internacional desta sexta não chega automaticamente à bomba, e a volatilidade tende a se manter enquanto o conflito não dá trégua. A pergunta que fica não é se o petróleo sobe ou cai num dia, mas quem absorve o custo quando ele sobe por semanas.