Startups: patinetes vivos no Brasil e a JET
Enquanto o mercado de patinetes era dado como morto no Brasil após o fim de Yellow e Grin, a JET apostou em frota de nova geração e já opera 40 mil veículos em 53 cidades, com 85% do share nacional.
O mercado de patinetes compartilhados foi dado como morto no Brasil depois do fim de marcas como Yellow e Grin. A JET não leu o obituário e trouxe seus patinetes azuis para cá em 2024. Hoje opera 40 mil veículos em 53 cidades brasileiras, com 1,5 milhão a 1,8 milhão de viagens por mês, mais de 25 milhões de viagens acumuladas e 7 milhões de usuários cadastrados em 15 estados.
Segundo dados da própria empresa, ela concentra cerca de 85% do mercado nacional de micromobilidade compartilhada. A maior concorrente é a Whoosh, de origem russa, que atua no Brasil como operação separada, com presença em São Paulo e aproximadamente 10 mil patinetes.
O CEO da companhia na América Latina, Ilia Timakhovskii, atribui o fôlego à mudança de equipamento, não a timing de marketing. "Elas não sobreviveram porque o modelo de patinete não servia naquele momento nem para o cliente, nem para a operação", afirma. "A bateria não era removível e durava pouco. Agora usamos patinetes de nova geração, com bateria trocável, e por isso o negócio se paga e o veículo roda mais." Para o dono de PME, o recado é direto: o ativo que roda mais por real investido decide entre caixa positivo e sucata parada no galpão.
O plano de expansão combina frota e modalidade. A JET quer abrir operações em 10 a 15 cidades e acrescentar 10 mil a 15 mil patinetes, além de bicicletas elétricas, até o fim deste ano ou começo do próximo. As bicicletas ainda são 1,5 mil unidades no país, mas a empresa vê espaço para crescer diante de concorrentes como a Tembici.
A recorrência aparece no número que mais importa para quem vive de assinatura: a fatia do JET Plus, plano de R$ 9,90 por mês que isenta a taxa de desbloqueio, saiu de cerca de 41% das viagens no primeiro semestre de 2025 para 47% no mesmo período deste ano. Receita previsível é o que separa operação saudável de montanha-russa.
A JET começou por cidades pequenas (Itajaí, Balneário Camboriú, Torres, Sorocaba) e depois migrou para as capitais. Agora desce a escada: entra em municípios de 500, 600, 800 mil habitantes, do maior para o menor. O critério não é só tamanho. "Um fator-chave é como a cidade é construída: a ocupação, a infraestrutura, as travessias de pedestre, as calçadas", diz Ilia. "Uma cidade pequena com boa infraestrutura pode funcionar muito melhor que uma grande sem infraestrutura."
A companhia nasceu no Cazaquistão há cinco anos e hoje está em oito países: Brasil, Chile, México, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Uzbequistão e Mongólia. O Brasil lidera em receita, frota e volume de viagens. "Este é atualmente o nosso maior mercado, e representa provavelmente mais da metade da nossa empresa", afirma o CEO. gestão financeira de PME
A leitura do mercado ainda é otimista. "Hoje o mercado tem talvez 50 a 60 mil unidades entre patinetes e bicicletas elétricas, mas parece um mercado de 200 a 300 mil unidades", afirma Ilia. "Ainda dá para crescer bastante." Para quem opera frota, o número que decide é o custo por viagem, não o tamanho do mercado endereçável.