Economia

Inflação de agosto fecha em -0,32%, menor em 4 anos

ResumoO IBGE registrou inflação de -0,32% em agosto, a menor taxa para o mês em quatro anos. O resultado foi puxado pelo Bônus de Itaipu e pela queda nos preços de alimentos e transportes. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (11) e representa deflação no período.

A inflação oficial de agosto ficou em -0,32%, a menor taxa em quatro anos, puxada pelo Bônus de Itaipu e pela queda de alimentos e transportes. O IBGE divulgou o dado nesta sexta-feira (11).

Eduardo Tannous
Eduardo Tannous Economista e analista macro · 11 de setembro de 2026
Inflação de agosto fecha em -0,32%, menor em 4 anos

A inflação oficial de agosto fechou em -0,32%, a menor taxa em quatro anos, segundo o IBGE. O resultado foi puxado pelo Bônus de Itaipu e pela queda de preços dos alimentos e dos transportes. Em julho, o IPCA havia sido 0,07%; em agosto de 2025, -0,11%.

O que explica o -0,32% de agosto:

  • Bônus de Itaipu: desconto na conta de luz derrubou o grupo habitação, com queda média de 7,63% na energia elétrica.
  • Alimentos e bebidas: terceira queda seguida, após recuos de 0,67% em julho e 0,24% em junho.
  • Transportes: passagens aéreas caíram 13,17% e os combustíveis recuaram 0,86%.

O Bônus de Itaipu é a distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica estatal, que vira crédito nas contas de energia. Como o benefício é restrito a agosto, o alívio não deve se repetir em setembro. O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, afirmou que "não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir".

A conta de luz foi o item que mais puxou o indicador para baixo, registrando a menor variação para um mês de agosto em todo o Plano Real. O grupo habitação teve a deflação mais profunda desde o início do Plano Real, em 1994.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação em agosto. O índice de difusão, que mede o quanto a inflação está espalhada, foi de 54%, ou seja, 54% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preço. Em julho, era de 50%.

No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,22%, menor valor desde março de 2026 (4,14%). Em julho, a soma estava em 4,44%. O resultado ficou abaixo da estimativa do mercado: o Boletim Focus do Banco Central projetava -0,23% para agosto. Para o fim de 2026, a expectativa do mercado é de 5%.

A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados. A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

Para o bolso do consumidor, a deflação de agosto traz alívio pontual. A queda de 7,63% na conta de luz e os recuos em alimentos e passagens aéreas representam economia imediata, mas concentrada no mês. O grupo serviços subiu 0,03%, enquanto os preços monitorados, que incluem a energia elétrica, caíram 1,26%. O juro alto chega no seu financiamento assim: com a inflação mais comportada, a pressão sobre a Selic diminui, mas o mercado ainda projeta 5% para o fim do ano, acima do centro da meta.

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos, em dez regiões metropolitanas e mais seis capitais.

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