Netanyahu ordena remoção de postos avançados na Cisjordânia
Benjamin Netanyahu ordenou o desmantelamento de postos avançados não autorizados de colonos na Cisjordânia, em meio à pressão dos EUA. A ordem, revelada por fontes a par do assunto, pode afetar cerca de 100 estruturas. Entenda o que muda e o contexto das áreas A, B e C.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou o desmantelamento de postos avançados não autorizados de colonos na Cisjordânia, afirmaram neste domingo duas pessoas a par do assunto. A decisão ocorre em meio à pressão dos Estados Unidos para que Israel tome medidas contra ataques de colonos a palestinos. A ordem se aplica às estruturas erguidas sem autorização oficial do Estado de Israel, que geralmente consistem em trailers pré-fabricados e abrigam um pequeno número de colonos.
Segundo as fontes, Netanyahu agiu em resposta à pressão do aliado mais próximo do país. Não ficou imediatamente claro quando a operação terá início. O site israelense Ynet informou que as ordens visam cerca de 100 postos avançados em todo o território ocupado. O gabinete do primeiro-ministro e as forças armadas, que normalmente participariam da remoção, não responderam a pedidos de comentário.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse que Netanyahu deu "uma instrução para desocupar locais construídos nas Áreas A e B", referindo-se às partes da Cisjordânia onde vive a maioria dos palestinos. De acordo com os Acordos de Oslo, firmados na década de 1990 entre Israel e a OLP, a Cisjordânia foi dividida em três zonas: A, B e C. Smotrich, ele próprio um colono, disse discordar da decisão, mas reconheceu avanços do governo na promoção de assentamentos na Área C.
O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, denunciou no sábado colonos violentos como terroristas e pediu consequências severas, após reunião com palestinos-americanos. Ele afirmou que é do próprio interesse de Israel agir contra o que chamou de "comportamento criminoso e terrorismo". Órgãos da ONU e a maioria dos governos consideram todos os assentamentos israelenses ilegais segundo o direito internacional e tratam a Cisjordânia como território ocupado. Israel argumenta que o território é disputado.
A Peace Now, organização israelense que critica a expansão dos assentamentos, contabiliza 340 postos avançados na Cisjordânia, além de 146 assentamentos formalmente reconhecidos. No mês passado, colonos cercaram casas de palestinos em uma vila, incluindo a de um palestino-americano, antes que militares os expulsassem. O governo israelense condena a violência, mas autores raramente são presos ou levados a julgamento.
Acordos de Oslo e as áreas A, B e C Pressão dos EUA sobre Israel