Bilionário vende ilha por US$ 7,9 mi, mas governo nega posse
Bilionário Tim Draper coloca ilha no Lago Tanganica à venda por US$ 7,9 mi, mas governo da Tanzânia diz que a terra não é dele. Negociação envolve direitos de investimento, não propriedade.
O bilionário americano Tim Draper anunciou a venda de uma ilha particular na Tanzânia por US$ 7,9 milhões, recebeu ofertas de potenciais compradores e esperava concluir rapidamente as negociações. O negócio parecia promissor, até o governo da Tanzânia informar que Draper não é proprietário da terra que anunciou estar vendendo.
A propriedade é a Lupita Island, no Lago Tanganica, e abriga um resort de luxo desenvolvido por Draper desde 2004. Em 28 de agosto, o investidor publicou no X que estava vendendo "minha ilha" porque ele e sua família não a utilizavam o suficiente. Colocou o preço em US$ 7,9 milhões ou a melhor oferta e divulgou o próprio e-mail para receber propostas. Segundo Draper já havia informado à Forbes, ela teria recebido "várias ofertas".
Em 31 de agosto, porém, o Ministério de Terras, Habitação e Desenvolvimento Habitacional da Tanzânia divulgou um comunicado esclarecendo a situação jurídica de Lupita. Segundo o governo, a terra pertence à Tanzania Investment and Special Economic Zones Authority (TISEZA), uma autoridade estatal. A Firelight Safaris Ltd., empresa da qual Draper é acionista, possui um direito derivado concedido pela TISEZA para desenvolver e operar um empreendimento turístico no local.
Isso significa que o terreno em si não está sendo vendido por Draper. O governo afirma que a Firelight Safaris pode transferir seu investimento para outro investidor, desde que siga as leis e os procedimentos do país. A transação envolve, portanto, a operação turística e os direitos de investimento associados ao resort, e não a propriedade da ilha.
Lupita tem cerca de 110 acres, ou aproximadamente 44,5 hectares. Draper passou quatro anos desenvolvendo o local, que ganhou dez chalés, spa, academia, sala de jogos, bares e piscina. O resort também oferece praia privativa, passeios de barco, caiaque, mergulho com snorkel e pesca. A estrutura conta com mais de 30 funcionários e pode ser acessada por uma combinação de avião e barco.
A tentativa de venda chamou atenção pela forma escolhida pelo bilionário. Em vez de contratar uma corretora ou anunciar em plataforma imobiliária, Draper publicou a oferta diretamente nas redes sociais e pediu que interessados entrassem em contato por e-mail. O governo da Tanzânia, por sua vez, deixou claro que a Firelight Safaris é considerada uma investidora legítima e pode transferir seus direitos de investimento para outro interessado. A propriedade da terra, contudo, permanecerá com a autoridade estatal.
O caso também expõe um alerta para investidores: antes de comprar terra no exterior, é preciso verificar quem detém o título de propriedade. No relato do próprio Draper em seu livro How to Be the Startup Hero, ele escreveu que não tinha documentos do governo da Tanzânia comprovando a propriedade da ilha. O empreendimento avançou com autorização local, mas a questão documental permaneceu sem solução definitiva. Draper tem patrimônio estimado em US$ 2,3 bilhões pela Forbes e participou de investimentos em empresas como Tesla, SpaceX, Skype e Coinbase. Em 2014, comprou em leilão do governo americano 29.656 bitcoins apreendidos do Silk Road por US$ 18,7 milhões, cerca de US$ 632 por bitcoin na época.
Para o pequeno e médio empresário, a lição é direta: o caixa fala antes do balanço, mas a documentação fala antes do caixa. Quem compra ativo sem verificar a titularidade assume risco jurídico que pode anular o investimento. A checagem fundiária, seja no Brasil ou no exterior, é etapa inegociável de qualquer negociação imobiliária. como verificar titularidade de imóvel antes de comprar