Economia

Motel de R$ 3 mil a diária: Lush quer virar resort urbano

ResumoO Lush, motel de luxo com diárias acima de R$ 3 mil, posiciona-se como resort urbano para superar o estigma do setor. A LHG, gestora do empreendimento, registrou faturamento de R$ 54 milhões em 2025 e projeta R$ 68 milhões em 2026. A expansão segue o modelo asset light, priorizando parcerias e gestão sem aquisição de imóveis.

O Lush, motel de luxo com diárias acima de R$ 3 mil, quer afastar o estigma do setor. A LHG, sua gestora, faturou R$ 54 milhões em 2025 e projeta R$ 68 milhões em 2026, com expansão via asset light.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 29 de agosto de 2026
Motel de R$ 3 mil a diária: Lush quer virar resort urbano

Um antigo motel de gestão familiar no Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, virou o embrião do Lush, um motel de luxo com diárias que ultrapassam R$ 3 mil. A proposta: matar o estigma do setor e disputar o tempo que casais reservam para lazer. Segundo a Associação Brasileira de Motéis, 85% dos frequentadores estão em relacionamentos estáveis.

O Lush é um braço da LHG, empresa de gestão de motéis que nasceu do próprio empreendimento. Hoje, a companhia opera motéis próprios, administra unidades de terceiros e presta consultoria a redes nos Estados Unidos e no Equador. "No começo, chamávamos o Lush de 'Urban Private Resort'. Era um slogan para mostrar esse conceito de tudo que um resort oferece, mas no formato privativo", diz o diretor Felipe Martinez.

Os diretores Felipe Martinez e Leonardo Dib assumiram a gestão do antigo Concavo e Convexo, fundado em 1990, do qual seus pais eram sócios, em 2010. O retrofit abandonou o tema erótico por um "design lúdico". O quarto mais caro tem piscina aquecida, sauna a vapor, cascatas e hidromassagem com cromoterapia. "O cliente queria um período mais longo, então começamos a oferecer diferentes opções de horário", explica Martinez. As reservas incluem dayuse (13h às 19h), pernoite (20h às 12h) e diária (15h às 12h).

A LHG desenvolveu uma plataforma de e-commerce para reservas, prática incomum no setor. Com o custo de capital alto, a empresa adotou o modelo "asset light": administra motéis em Brasília e Campinas com remuneração por participação nos lucros e consultoria para redes em Quito (Equador), Flórida e Texas (EUA). "Somos uma plataforma de investimento que pode ser proprietária ou administradora do ativo", resume Dib.

Em 2025, a LHG faturou R$ 54 milhões, com projeção de R$ 68 milhões em 2026, crescendo cerca de 20% ao ano. A margem EBITDA nas unidades maduras fica em 35%. A rotatividade de quartos, com ocupação de 150% a 160%, impulsiona o RevPAR: enquanto um hotel tradicional com diária de R$ 400 e ocupação de 70% gera RevPAR de R$ 280, um motel com ticket de R$ 300 e ocupação de 150% chega a R$ 450. No Lush, o ticket médio é de R$ 700.

Agora, a companhia negocia com investidores ou fundos imobiliários para expandir. "Estamos falando de R$ 100 milhões para um pipeline de 7 a 10 unidades nos três anos seguintes ao investimento", afirma Martinez. A aposta é que a tecnologia e a gestão profissionalizada, como na hotelaria, atraiam capital para um setor historicamente estigmatizado.

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