Milei endurece tom sobre Malvinas e ganha apoio contra petróleo
Javier Milei endurece o tom sobre as Malvinas e propõe sanções mais duras contra empresas que exploram petróleo na região. A mudança de postura ganha apoio popular e político na Argentina.
O presidente da Argentina, Javier Milei, endureceu o tom sobre as Ilhas Malvinas e ganhou amplo apoio popular ao anunciar um projeto de lei para punir empresas que exploram petróleo na região. Em discurso televisionado na quinta-feira, Milei afirmou que apresentará ao Congresso medidas para endurecer sanções contra companhias que realizam perfurações e participam de "outras atividades nas ilhas que afetam nossos recursos naturais". A mudança de postura marca um afastamento da abordagem anterior do presidente, que defendia a diplomacia em vez do confronto.
A Argentina reivindica soberania sobre as Malvinas há quase dois séculos e perdeu uma guerra contra o Reino Unido por causa delas em 1982. Como o país não administra as ilhas, não pode impedir diretamente a perfuração no local. O Reino Unido, que controla o arquipélago desde 1833, afirmou na sexta-feira que sua posição era "inabalável". O campo petrolífero Sea Lion, ao norte das ilhas, é operado pela Navitas Petroleum, detentora da participação majoritária, enquanto a Rockhopper Exploration detém 35%. As duas empresas afirmaram que possuem licenças válidas e não acreditam que os comentários de Milei afetarão o projeto, mas suas ações sofreram forte queda na sexta-feira.
A nova postura de Milei inclui a proposta de criação de um conselho de segurança nacional para coordenar políticas de segurança aeroespacial e marítima, além de prometer mais recursos para uma base naval na Terra do Fogo, ponto de acesso estratégico às Malvinas e à Antártida. O governo não forneceu mais detalhes sobre o projeto de lei. Juan Battaleme, ex-secretário de assuntos internacionais da Defesa no governo Milei, disse que o presidente entendeu que "este é o momento de agir". O discurso ocorreu dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, sugerir que poderia reconsiderar a postura neutra americana, citando frustração com o apoio limitado do Reino Unido a operações militares no Oriente Médio.
Em Buenos Aires, Mariana Hamicha, contadora de 49 anos, disse que a postura mais firme sinaliza que a Argentina está defendendo seus interesses: "Acho que assumir uma postura firme, especialmente no que diz respeito à exploração por empresas estrangeiras e à extração de petróleo, pode ser uma forma de traçar um limite". Candela Mascetti, pesquisadora da Escola Superior de Guerra, vê uma mudança notável para um presidente frequentemente criticado por não dar atenção suficiente à questão. Até adversários políticos receberam bem o anúncio, embora critiquem a demora. Guillermo Carmona, que supervisionou a política das Malvinas no governo anterior, disse que as medidas são positivas, mas insuficientes, e que Milei precisa pressionar o governo israelense, dadas as estreitas relações diplomáticas da Argentina com Israel.
Milei, que deve concorrer à reeleição em 2027, tem índice de aprovação de 36,8%, segundo pesquisa de agosto da Zuban Córdoba e Associados. Benjamin Gedan, diretor do programa para a América Latina do Stimson Center, avalia que a linha mais dura faz sentido diante dos números das pesquisas e das sugestões de Trump. disputa de soberania no Atlântico Sul relações entre Argentina e Reino Unido