Mário Frias nega irregularidades e chama PF de cortina de fumaça
Alvo de busca e apreensão da PF nesta quinta-feira, o deputado Mário Frias (PL-SP) negou irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas e disse que a operação é cortina de fumaça.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) chamou de "cortina de fumaça" a operação da Polícia Federal que cumpriu, nesta quinta-feira, um mandado de busca e apreensão em sua residência. A ação investiga a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares a projetos que acabaram vinculados à produção do filme "Dark Horse". Em vídeo publicado nas redes sociais, sua primeira manifestação pública após a operação, o deputado negou irregularidades.
Frias afirmou que sua defesa pede há meses acesso ao inquérito e criticou ter conhecido as suspeitas pela imprensa no mesmo dia da ação.
"Como é que pode se defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal no mesmo dia em que a sua porta é arrombada", disse.
O argumento central do deputado para afastar sua responsabilidade é o funcionamento das emendas parlamentares. Segundo ele, o dinheiro não passa pelas mãos do parlamentar: vai do Tesouro ao órgão executor, que aprova o plano de trabalho e fiscaliza a prestação de contas. Frias disse que os R$ 2 milhões foram destinados a dois projetos, um esportivo e outro de letramento digital voltado a crianças, jovens e adolescentes, e que a destinação é pública, consultável no Portal da Transparência.
A PF investiga a aplicação de recursos de emendas destinadas por Frias ao Instituto Conhecimento em Movimento (ICB), presidido por Karina Gama, também dona da Go Up, produtora da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a produção de "Dark Horse". De acordo com a investigação, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao ICB em 2024, e a PF apontou ainda uma transferência de R$ 645,4 mil feita pelo deputado à Go Up durante o período das filmagens.
"Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição. Cortina de fumaça", afirmou.
O deputado disse que a operação provocou impacto pessoal em sua família e que a fotografia feita na porta de sua residência e o trauma vivido por sua filha não serão apagados mesmo que a investigação seja arquivada. Frias afirmou que pretende colaborar com a investigação, entregar os documentos solicitados e manter sua agenda eleitoral, apoiando Flávio Bolsonaro (PL).
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e cumpriu 49 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Além de Frias, a produtora Karina Gama está entre os principais alvos. A PF sustenta que havia um grupo formado por agentes públicos e privados que teria utilizado contratos e documentos para dar aparência de regularidade à movimentação de recursos públicos destinados a projetos ligados ao filme.