Lula: reunião com Vorcaro e a investigação do Banco Master
O presidente Lula afirmou ao SBT News que avisou o banqueiro Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024, que o Banco Master seria analisado como qualquer banco. A declaração reacende a crise institucional que já atinge o STF e outros Poderes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira, 10, em entrevista ao SBT News, que avisou o banqueiro Daniel Vorcaro, no encontro de dezembro de 2024, que o Banco Master seria investigado com seriedade. Segundo Lula, o banco foi fechado e Vorcaro preso durante sua gestão.
Na versão do presidente, o banqueiro procurou o Planalto alegando perseguição. "O Daniel Vorcaro veio conversar comigo, dizendo que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse para ele que o Banco Master seria analisado como qualquer banco", afirmou. Lula complementou que ninguém tem interesse em fechar banco, mas que é preciso estar correto, sob pena de fechamento.
O caso, porém, não se encerra na fala presidencial. A investigação sobre o Master está na origem da crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli era o relator inicial do caso e deixou a função após pressão ligada a um resort no Paraná do qual foi sócio e que foi comprado por um fundo ligado a Vorcaro. Depois, mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes vieram a público, e a investigação mostrou que Moraes editou o contrato entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master.
O impacto não se restringe ao STF. No Legislativo, os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA) já foram alvos de operações da Polícia Federal. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também é investigado e teria pedido mais de R$ 120 milhões ao banqueiro, supostamente para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. No Executivo, a reunião de Lula com Vorcaro em dezembro de 2024 trouxe o caso ao Planalto, embora o presidente não seja investigado.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 29 de novembro de 2025, ao tentar embarcar em voo particular para Dubai. Solto 11 dias depois, voltou a ser preso preventivamente em 4 de março deste ano. Ele é acusado de organização criminosa, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e rombos bilionários ligados à liquidação do banco.