Israel precisa aprovar acordo de Trump antes do Hamas, diz líder
A implementação do acordo anunciado por Donald Trump para Gaza depende de Israel cumprir primeiro seus compromissos, afirma autoridade do Hamas à Reuters. Veja os detalhes.
A implementação do acordo para trazer paz a Gaza, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depende de Israel cumprir primeiro seus compromissos previstos no acordo firmado no ano passado. A afirmação é de uma autoridade de alto escalão do Hamas à Reuters, nesta sexta-feira.
O que o acordo de Trump prevê?
Em postagem na plataforma Truth Social na quinta-feira, Trump anunciou um "grande marco" rumo ao fim da guerra em Gaza. Ele afirmou que seu "Conselho da Paz" chegou a um acordo para o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados. O anúncio ocorreu após meses de esforços vacilantes para manter o cessar-fogo firmado no ano passado no resort egípcio de Sharm el-Sheikh.
Reação do Hamas
Um representante do Hamas descreveu o acordo como um esboço. Ghazi Hamad, envolvido nas negociações, disse que o grupo está pronto para aceitar um acordo que chamou de "difícil e doloroso". Ele evitou usar o termo "desarmamento" e afirmou que o acordo é uma "estrutura abrangente" que dependeria da implementação, por parte de Israel, da primeira fase do acordo de Sharm el-Sheikh.
Condições para entregar armas
Segundo Hamad, Israel seria obrigado a encerrar ataques em Gaza, retirar forças para as posições de outubro e aumentar o fluxo de mercadorias e ajuda humanitária. Somente então o Hamas concordaria em entregar suas armas para armazenamento pelo novo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão tecnocrático criado para administrar o enclave.
"Insistimos com os mediadores que Israel deve cumprir o acordo", disse ele.
Pressão política em Israel
Na terça-feira, Trump se reuniu em Washington com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que enfrenta eleição em outubro e pode precisar do apoio de partidos de direita que rejeitaram acordos anteriores. Na quinta-feira, uma fonte política israelense afirmou que Israel não concordaria em se retirar para trás da Linha Amarela antes que o Hamas fosse desarmado e Gaza desmilitarizada.
Desconfiança mútua
Tentativas anteriores fracassaram em meio à desconfiança e à insistência de cada lado de que o outro deve dar o primeiro passo. O NCAG saudou o progresso e disse estar pronto para assumir responsabilidades. A Alemanha, um dos principais doadores, declarou que ajudaria no acordo.
Ceticismo em Gaza
Moradores de Gaza, que lutam pela sobrevivência básica após a campanha militar israelense em resposta ao ataque do Hamas em 2023, permanecem céticos. Em um acampamento de tendas, palestinos deslocados pediram que Trump obrigue Israel a cumprir o acordo.
"Trump, você deveria começar pela sua parte: cessar-fogo, parar com os assassinatos e concluir a retirada do Exército israelense da Faixa de Gaza", disse Samir Ayad, de 60 anos. "Não estamos vendo nenhum acordo, nada do que ele (Trump) está dizendo."
O que esperar
A implementação do acordo depende de passos concretos que ainda não foram dados. A posição de Israel, condicionando a retirada ao desarmamento, contrasta com a exigência do Hamas de que Israel cumpra primeiro os compromissos. O impasse pode se arrastar, enquanto a população de Gaza continua a sofrer.
Perguntas Frequentes
O que é o acordo de Trump para Gaza?
É um plano anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que prevê o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados, como parte de um "grande marco" para o fim da guerra em Gaza.
Qual a posição do Hamas sobre o acordo?
O Hamas diz estar pronto para aceitar um acordo "difícil e doloroso", mas condiciona a entrega de armas à implementação, por Israel, da primeira fase do acordo de Sharm el-Sheikh.
O que Israel exige?
Segundo fonte política israelense, Israel não concordará em se retirar para trás da Linha Amarela antes que o Hamas seja desarmado e Gaza seja desmilitarizada.
O que é o NCAG?
O Comitê Nacional para a Administração de Gaza é um órgão tecnocrático criado para administrar o enclave e que armazenaria as armas entregues pelo Hamas.
Por que há ceticismo entre os moradores de Gaza?
Os moradores já sofreram com a guerra e não veem resultados concretos. Samir Ayad, de 60 anos, afirmou à Reuters que não vê nenhum acordo sendo implementado.