Instituições reagem a tarifaço e pedem que governo fortaleça negociações
Após o anúncio da sobretaxa de 12,5% pelos Estados Unidos, associações como Abimaq, CNI e UNICA pedem que o governo fortaleça as negociações e evite retaliações que comprometam o diálogo bilateral.
Instituições reagem a tarifaço e pedem que governo fortaleça negociações
A sobretaxa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gerou reação imediata de associações representativas de diversos setores da economia. Instituições como Abimaq, CNI, UNICA, Abicalçados, Fiemg, AMC e Centrorochas pedem que o governo fortaleça as negociações com os norte-americanos para evitar o agravamento das barreiras comerciais.
As entidades rechaçam a ideia de retaliação imediata e defendem o diálogo diplomático como caminho mais eficaz para reduzir as alíquotas. A seguir, veja as principais manifestações e os impactos esperados para cada segmento.
Abimaq defende fortalecimento da diplomacia
A Abimaq, que representa a indústria de máquinas e equipamentos, defende que "o caminho mais adequado é o fortalecimento da diplomacia, tanto em nível governamental quanto empresarial". A entidade rechaçou a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta à nova alíquota. Para a Abimaq, apesar de a decisão dos EUA ter "motivação predominantemente política", uma reação baseada em retaliação "tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países".
CNI: alíquota cria falta de competitividade total
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a nova alíquota de 12,5% "cria uma falta de competitividade total", tornando mais crítico o cenário para os produtos manufaturados. Em comunicado, Alban disse que "o setor produtivo continuará apoiando as negociações do governo brasileiro com os norte-americanos".
UNICA lamenta e pede atenção a assimetrias
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) lamentou a decisão e diz acreditar na atuação do governo na condução de tratativas diplomáticas e comerciais com os EUA. A entidade afirmou que a "decisão desconsidera importantes assimetrias na relação comercial entre os dois países". Segundo a UNICA, as exportações brasileiras de açúcar continuam sujeitas a tarifas e restrições impostas pelos EUA, enquanto o Brasil mantém política não discriminatória para o etanol, em conformidade com as regras do comércio internacional.
Abicalçados vê revés na relação comercial
A Abicalçados, que reúne o setor calçadista, afirmou que a alíquota representa "mais um revés na relação comercial" entre EUA e Brasil. Para Haroldo Ferreira, da entidade, o movimento "piora o que já estava ruim". O aumento amplia o diferencial tarifário entre o Brasil e países asiáticos como Vietnã, Indonésia e Camboja, prejudicando a competitividade dos calçados brasileiros.
Fiemg cobra atuação firme e coordenada
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) cobra "uma atuação firme, técnica e coordenada do governo brasileiro" para buscar a ampliação das exceções e garantir regras claras para as empresas, de modo a evitar o agravamento das barreiras impostas ao comércio entre os dois países.
AMC defende diálogo em vez de barreiras
A Associação dos Minerais Críticos (AMC) afirmou que o setor adota padrões de responsabilidade socioambiental, respeito aos direitos humanos, rastreabilidade e gestão de fornecedores. A presidente da AMC, Marisa Cesar, afirmou que "mecanismos de diálogo e negociação tendem a produzir resultados mais favoráveis ao desenvolvimento das cadeias produtivas do que a ampliação de barreiras comerciais".
Centrorochas vê novo desafio para competitividade
Representando o setor de rochas naturais, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) afirmou que "a decisão representa um novo desafio para a competitividade do setor brasileiro de rochas naturais". A associação seguirá buscando alternativas, junto com representantes do governo e do setor nos EUA, que minimizem os impactos da medida e preservem as condições de acesso das rochas naturais brasileiras ao mercado norte-americano.
Perguntas Frequentes
Por que as instituições rechaçam a retaliação?
As entidades avaliam que uma reação baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz e pode comprometer o diálogo, agravando as barreiras comerciais.
Qual o principal impacto da sobretaxa de 12,5%?
A alíquota reduz a competitividade dos produtos brasileiros, especialmente manufaturados, calçados e rochas naturais, frente a concorrentes asiáticos.
O que as instituições pedem ao governo?
Elas pedem fortalecimento das negociações diplomáticas e comerciais com os EUA, com atuação técnica e coordenada para ampliar exceções e garantir regras claras.
A UNICA foi afetada pela decisão?
Sim. A UNICA lamentou a decisão e destacou que o Brasil mantém política não discriminatória para o etanol, enquanto o açúcar brasileiro já enfrenta tarifas e restrições nos EUA.
Como a Fiemg vê a situação?
A Fiemg cobra uma atuação firme e coordenada do governo brasileiro para evitar o agravamento das barreiras e garantir regras claras para as empresas.
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