IA amplia margem e produtividade, mas inflação segue como maior risco, dizem gestores
Inteligência artificial amplia margens e produtividade nas empresas, mas a inflação ainda é o maior risco para os mercados, segundo gestores no painel "Mundo em Movimento" da Expert XP 2026.
IA amplia margem e produtividade, mas inflação segue como maior risco, dizem gestores
A inteligência artificial já começa a gerar retornos concretos para empresas que a incorporam, ampliando margens e produtividade, mas a inflação segue como o principal risco para os mercados acionários. Essa foi a mensagem central do painel "Mundo em Movimento: As perspectivas das bolsas globais", que reuniu Laura Howenstine (Wellington Management), Alastair Pang (Morgan Stanley) e Gina Adams (HB Wealth Management) na Expert XP 2026.
IA já gera retorno sobre receita, mas depende de como a empresa a usa
Um dos principais questionamentos que cercam o avanço da IA entre as empresas é se já há maneiras de quantificar os retornos oferecidos, em especial considerando os vultosos investimentos realizados. Para Gina Adams, da HB Wealth Management, essa análise depende muito mais de quais empresas são observadas e de que forma a tecnologia está sendo incorporada aos negócios. Ela destaca que cerca de 75% das empresas afirmam esperar algum nível de retorno sobre receita decorrente da adoção da IA.
As companhias que utilizam inteligência artificial para transformar suas operações já estão observando resultados positivos, observa Gina, especialmente em termos de crescimento de receita e ganhos de eficiência. Na avaliação dela, parte importante das empresas já começa a perceber efeitos tangíveis desses investimentos. Apesar do entusiasmo que envolve o tema, a gestora acredita que o mercado tem mantido uma postura relativamente racional ao avaliar quais companhias realmente conseguem converter investimentos em resultados.
Hyperscalers já mostram retorno consolidado; IA não é bolha
Laura Howenstine afirmou que é preciso separar os diferentes grupos de empresas quando se discute inteligência artificial. Para ela, os chamados hyperscalers, como as gigantes de tecnologia que operam data centers massivos, já apresentam um retorno mais consolidado sobre os elevados investimentos realizados em infraestrutura tecnológica. Alastair Pang considera que os retornos sobre os investimentos de capital voltados à inteligência artificial têm sido "incríveis".
Por isso, Laura não vê paralelos diretos entre o atual ciclo de investimentos em IA e a bolha das empresas de internet do fim dos anos 1990. Na visão dela, existe hoje uma base econômica e operacional mais sólida sustentando o crescimento do setor. E os retornos já demonstram a validade dos investimentos.
Demanda por IA cresce e impulsiona cadeia de semicondutores
Para Pang, os investimentos são impulsionados pelo consumo crescente dessa inteligência. Na medida em que empresas e consumidores incorporam mais ferramentas de IA em suas atividades, cresce também a capacidade de transformar tecnologia em receita. O executivo destacou ainda que os últimos seis meses marcaram um importante ponto de inflexão para a indústria, impulsionado pelo avanço da chamada IA agêntica. Segundo ele, a infraestrutura necessária para suportar essa nova fase da tecnologia tem gerado escassez em diferentes partes da cadeia produtiva.
Esse avanço da demanda por computação vem impulsionando toda a cadeia tecnológica, especialmente os fabricantes de processadores. Para Pang, o aumento da necessidade de capacidade computacional levará a uma demanda cada vez maior por CPUs, GPUs e outros componentes fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial, fortalecendo especialmente o setor de semicondutores.
Setores com maior potencial de benefício vão de bancos a saúde
Howenstine acredita que a próxima etapa do desenvolvimento da inteligência artificial será caracterizada por uma adoção muito mais ampla em diversos segmentos da economia. Entre os setores com maior potencial de benefício, ela citou bancos, logística, documentação corporativa, atividades administrativas e até mesmo o sistema de saúde dos Estados Unidos. Na avaliação de Gina, o setor financeiro já se destaca como uma das áreas que mais capturaram retorno econômico a partir da IA.
Ela observou que as empresas que construíram seus modelos de negócio em torno da inteligência artificial obtiveram benefícios mais significativos do que aquelas que apenas adicionaram ferramentas pontuais ligadas à tecnologia. Ao mesmo tempo, Laura chama atenção para companhias que não são tradicionalmente classificadas como empresas de IA, mas que já começam a capturar valor por meio da adoção da tecnologia.
Inflação é o maior risco; ciclo atual não é bolha, mas exige cautela
Ao comentar sobre o estágio atual do ciclo de investimentos, Pang afirmou que o mercado não está em uma situação comparável a 1994 nem a 1999, mas sim a algo mais próximo de 1997. Segundo ele, já houve expansão de margens, crescimento dos gastos de capital e aumento do interesse dos clientes em ampliar investimentos relacionados à IA. Ainda assim, Pang acredita que a variável mais importante continua sendo a demanda. Em sua avaliação, a procura por soluções de inteligência artificial está hoje mais forte do que estava apenas um trimestre atrás.
Embora Laura avalie que a trajetória dos semicondutores esteja se tornando menos dependente dos ciclos econômicos tradicionais, Adams considera que ainda existe um componente cíclico relevante no setor. Segundo ela, investidores devem permanecer atentos a possíveis sinais de desaceleração na demanda. Ao mesmo tempo, Gina ressalta que o mercado continua premiando empresas com margens elevadas e maior potencial de retorno, mas vê na inflação o principal risco para os mercados acionários.
Como investir em um cenário de IA e inflação
Laura considera que a grande oportunidade de investimento está no aumento da produtividade proporcionado pela IA e recomenda uma abordagem global para capturar esses benefícios. Pang conclui que o crescimento sustentável dependerá de portfólios diversificados, capazes de se beneficiar dos múltiplos temas transformados pela inteligência artificial.
Perguntas Frequentes
O que é a Expert XP 2026?
A Expert XP 2026 é um evento anual promovido pela XP Investimentos que reúne gestores, economistas e especialistas para discutir perspectivas econômicas e de mercado.
Quem participou do painel "Mundo em Movimento"?
O painel contou com Laura Howenstine (Wellington Management), Alastair Pang (Morgan Stanley) e Gina Adams (HB Wealth Management).
A IA já gera retorno para as empresas?
Sim. Segundo Gina Adams, cerca de 75% das empresas esperam retorno sobre receita com a IA, e as que a incorporam de forma transformadora já observam ganhos de receita e eficiência.
Qual é o principal risco para os mercados hoje?
A inflação. Gina Adams destacou que, apesar do otimismo com a IA, a inflação segue como o maior risco para os mercados acionários.
A IA é uma bolha como a da internet nos anos 1990?
Para Laura Howenstine, não. Ela vê uma base econômica e operacional mais sólida hoje, com retornos já demonstrando a validade dos investimentos.
Quais setores mais se beneficiam da IA?
Bancos, logística, documentação corporativa, atividades administrativas e o sistema de saúde dos EUA foram citados como setores com maior potencial de benefício.