WPP assume lado tech com R$ 110 milhões no Brasil
Avaliada em US$ 4 bilhões, a holding WPP deixa de ser só dona de agências como Ogilvy e VML e passa a ancorar o negócio em tecnologia. No Brasil, o investimento em IA generativa chega a mais de R$ 110 milhões em 2026, segundo a Oxford Economics.
O WPP, segundo maior grupo de publicidade do mundo, avaliado em US$ 4 bilhões, deixou de se apresentar apenas como dono de agências históricas como Ogilvy, VML e AKQA. A holding passou a ancorar seu modelo de negócios em soluções corporativas e tecnologia, movimento que, no Brasil, se traduz em mais de R$ 110 milhões direcionados à inteligência artificial generativa em 2026, segundo a Oxford Economics.
O número é a ponta visível de uma guinada construída, segundo o próprio grupo, de forma silenciosa ao longo dos últimos anos. Stefano Zunino, no comando do WPP Brasil desde 2019, explicou em entrevista exclusiva ao EXAME Insight que a virada veio por aquisições estratégicas em performance digital e engenharia de software.
Mais de 60% da receita do grupo hoje vem de enterprise solutions, serviços de consultoria e tecnologia para grandes companhias. Na prática, o WPP trocou a lógica exclusiva da criação publicitária pelo papel de parceiro tecnológico de ponta a ponta na jornada digital das empresas, como descreve o executivo.
A linha do tempo dessas aquisições ajuda a entender o movimento. A primeira companhia de performance de mídia foi comprada em 2014 no Brasil, a Blinks. Em 2015 vieram aportes em e-commerce com Enext, F.biz e PMWeb. O marco da guinada foi a compra da DTI, empresa mineira focada em software, em 2022, que atende clientes como MRV e Vale.
Zunino define essa base como plumbing: comunicação, performance e dados sustentando uma jornada de negócios de ponta a ponta. Com centenas de engenheiros de software integrados à operação, o grupo passou a disputar espaço com grandes consultorias.
A mudança também alterou com quem o WPP conversa. O CTO virou interlocutor estratégico, e o CIO passou a dar a direção das decisões, segundo o executivo. O marketing e a publicidade seguem no DNA da casa, mas o diálogo agora passa por reestruturação de plataformas comerciais e gestão de retail media.
Sobre o impacto da IA, Zunino compara o momento à revolução industrial: exige infraestrutura e investimento massivo. O grupo destina 150 milhões de libras por ano à manutenção da plataforma WPP Open, criada para ampliar a entrega em IA generativa. Para ele, o reposicionamento é o que sustenta a disputa com consultorias e agências rivais.