Economia

Gestão pós-layoffs: lições da crise das big techs

ResumoRafael Camilo, ex-Google e Twitter, analisa a gestão pós-layoffs nas big techs como uma mudança estrutural na relação entre empresas e funcionários. A crise revela a necessidade de estratégias de retenção, transparência e reconstrução de confiança. Lições práticas incluem comunicação clara, suporte à transição e redefinição de métricas de desempenho para evitar ciclos recorrentes de demissões.

A onda de layoffs nas big techs mudou a relação entre empresas e funcionários. Rafael Camilo, ex-Google e Twitter, analisa o impacto estrutural e as lições para a gestão pós-crise.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 07 de setembro de 2026
Gestão pós-layoffs: lições da crise das big techs

Se você é CEO ou lidera uma equipe, já sentiu o peso de decidir cortar pessoas. A onda de demissões nas big techs, que eliminou mais de 160 mil postos só em 2022, deixou uma lição dura: o layoff não termina quando o funcionário sai. Ele transforma quem fica, quem sai e a própria cultura da empresa.

Em 2024, Rafael Camilo, conselheiro e pesquisador, ex-Google e Twitter, viveu isso na pele. Nascido no Capão Redondo, periferia de São Paulo, ele chegou a uma cadeira executiva no antigo Twitter, comprado por Elon Musk por US$ 44 bilhões em 2022. Sob o novo controlador, cerca de 3,7 mil funcionários, metade da força de trabalho, foram cortados. Camilo estava entre eles.

A experiência virou o livro "Como sobreviver aos layoffs", da Actual, com prefácio de Monique Evelle. A tese central: os layoffs deixaram de ser resposta emergencial e viraram arsenal para responder à pressão por eficiência, turbinada por juros altos, competição e inteligência artificial.

Para quem fica, surge o FOGLO (fear of getting laid off), o medo de ser o próximo. Para quem sai, o desafio é reconstruir a identidade profissional que estava ligada ao crachá da empresa. "Quando o crachá desaparece, fica uma pergunta mais difícil do que 'qual será meu próximo emprego?': quem sou eu profissionalmente sem aquela empresa?", provoca Camilo.

A gestão pós-layoffs, então, exige mais do que cortar custos. Exige reconstruir confiança e reconhecer que a estabilidade corporativa, para o profissional, virou artigo em extinção. como reconstruir a confiança da equipe após demissões

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