Futuros de NY caem com petróleo acima de US$ 102 e alertas sobre IA
Futuros das bolsas americanas abriram o domingo em queda, pressionados pela disparada do petróleo após a Arábia Saudita fechar oleoduto que contorna o Estreito de Ormuz. Alertas de CEOs da OpenAI e Anthropic sobre IA ampliam a cautela.
Os contratos futuros das bolsas americanas abriram a noite deste domingo (13) em queda, pressionados pela nova disparada do petróleo e por uma sequência de alertas sobre os riscos ligados ao avanço da inteligência artificial.
Por volta das 18h, no horário de Nova York, os futuros do Nasdaq 100 recuavam 1,2%. Os contratos ligados ao S&P 500 perdiam cerca de 0,5%, enquanto os do Dow Jones cediam aproximadamente 180 pontos, ou 0,3%.
A pressão mais imediata veio do mercado de energia. A Arábia Saudita fechou um importante oleoduto que permite contornar o Estreito de Ormuz, aumentando a preocupação dos investidores com a oferta de petróleo em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
Os contratos futuros do petróleo WTI avançavam 2,3%, a US$ 102,38 por barril. O Brent, referência internacional, também ganhava 2,3%, negociado a US$ 107,02. Uma queda ainda maior nos fluxos sauditas agravará a escassez global de abastecimento, que já empurrou os preços globais dos combustíveis para níveis recordes.
A gente costuma dizer que, em cripto e tecnologia, separar o fundamento do hype é o que protege o investidor. No caso da IA, o alerta desta vez veio de dentro de casa. Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou em entrevista publicada no sábado que a companhia não pretende realizar uma oferta pública inicial de ações neste ano. Segundo ele, levar a criadora do ChatGPT à bolsa neste momento seria "imprudente". A declaração ocorre cerca de um mês depois de Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI, ter indicado que a empresa poderia realizar um IPO até 2027.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, também defendeu no sábado que as empresas responsáveis pelos modelos mais avançados reduzam o ritmo de desenvolvimento diante dos riscos associados à tecnologia. Em entrevista à CBS News no domingo, ele apontou como uma das principais dificuldades a possibilidade de a China não adotar uma postura semelhante. O tema ganhou espaço depois que um pesquisador deixou a Anthropic e fez um alerta sobre os riscos representados pelo desenvolvimento da IA.
A preocupação atinge um dos principais motores da valorização das bolsas americanas nos últimos anos. A expansão da inteligência artificial estimulou investimentos de grande porte em infraestrutura tecnológica e sustentou expectativas de ganhos de produtividade e futuras aberturas de capital de empresas do setor.
Os investidores também se preparam para a reunião de setembro do Federal Reserve, marcada para esta semana. Os contratos futuros de Fed Funds indicavam probabilidade de aproximadamente 86% de aumento dos juros, segundo a ferramenta FedWatch, da CME. A alta do petróleo adiciona pressão ao cenário ao elevar as preocupações com inflação e juros, enquanto as bolsas já absorvem as incertezas relacionadas ao setor de tecnologia.
A segunda-feira não tem previsão de divulgação de balanços corporativos relevantes ou de indicadores econômicos de maior impacto nos Estados Unidos.