Expert XP: Durigan rejeita risco de all in fiscal do governo Lula em 2026
Em meio ao pessimismo do mercado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitou o risco de um all in fiscal do governo Lula em 2026. Em entrevista na Expert XP, ele defendeu que a gestão segue caminho oposto e prometeu entregar um orçamento rígido com superávit de 0,5% do PIB.
Expert XP: Durigan rejeita risco de all in fiscal do governo Lula em ano eleitoral
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitou nesta sexta-feira (24) a avaliação de que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria promovendo um all in fiscal em 2026, ano eleitoral. Em entrevista exclusiva ao InfoMoney durante a Expert XP, ele afirmou que a gestão segue caminho oposto ao descrito por parte do mercado e defendeu que o governo encerrará o mandato com as contas públicas em situação melhor do que a encontrada em 2023.
O que é o all in fiscal e por que o mercado teme
O termo all in fiscal se refere a uma estratégia de gastos públicos elevados em ano eleitoral, com o objetivo de impulsionar a economia e a popularidade do governo, muitas vezes às custas do endividamento futuro. O mercado temia que o governo Lula repetisse o padrão de 2022, quando houve aumento de despesas sem contrapartida orçamentária.
Durigan foi direto ao rebater essa tese: "2026 vai ser muito diferente de 2022. Se a gente já viu o all in em ano de eleição, é tudo o que nós não estamos fazendo esse ano. Esse ano não tem calote em precatório, não tem calote em governador, nós não vamos aumentar o Bolsa Família sem previsão orçamentária."
A estratégia do governo para evitar o all in fiscal
O ministro acrescentou que o governo tem bloqueado despesas para cumprir o arcabouço fiscal e defendeu a condução da relação com Congresso e governadores. "O que nós estamos fazendo agora é dando um all in em regra de respeito à democracia e regra fiscal. É totalmente o oposto do que comentaram", afirmou.
Segundo Durigan, a equipe econômica pretende entregar ao próximo governo um cenário fiscal mais organizado do que o recebido no início da atual administração. Ele destacou que o Projeto de Lei Orçamentária de 2027, que será encaminhado ao Congresso até 31 de agosto, será elaborado dentro das regras fiscais e contemplará todas as despesas permanentes do governo.
Orçamento de 2027: meta de superávit e programas previstos
"Nós vamos entregar um orçamento de 31 de agosto para o ano que vem que não é um orçamento fake como a gente recebeu de 22 para 23. Ele é um orçamento bastante rígido, que projeta uma meta de superávit de 0,5 e prevendo os programas", disse o ministro.
Durigan afirmou que programas como Bolsa Família e Farmácia Popular estarão integralmente previstos no Orçamento e descartou medidas de fim de mandato que possam transferir custos para a gestão seguinte: "Nós não vamos fazer desoneração no apagar das luzes para comprometer o próximo governo."
Ajuste fiscal de 2% do PIB e consolidação das contas
Ao avaliar o legado da equipe econômica, Durigan afirmou que a consolidação das contas públicas seguirá sendo prioridade até o fim do mandato. Segundo ele, a gestão conseguiu promover um ajuste equivalente a cerca de 2% do PIB na trajetória do resultado primário e defendeu que esse movimento deve prosseguir: "A consolidação fiscal vai continuar acontecendo. O que é importante as pessoas entenderem é que as promessas para o futuro se calcam no que a gente fez durante esses três anos e meio."
Indicadores macroeconômicos e o impacto para o consumidor
Para o ministro, apesar de reconhecer que ainda existem desafios, os indicadores macroeconômicos mostram uma economia estruturalmente mais forte. "A economia brasileira melhorou nesses últimos tempos estruturalmente. Quando a gente olha dados sobre inflação, crescimento, geração de emprego, balança comercial, desmatamento e safra recorde, a gente percebe que a economia brasileira vai bem", disse Durigan.
Para o pequeno e médio empresário, a sinalização de que o governo não vai fazer um all in fiscal pode significar menor pressão inflacionária e juros mais controlados no médio prazo. O caixa fala antes do balanço: se o governo segura gastos, a Selic pode cair, e o custo do crédito para PMEs tende a acompanhar.
Perguntas Frequentes
O que é all in fiscal?
É a estratégia de aumentar gastos públicos em ano eleitoral para impulsionar a economia, muitas vezes sem lastro orçamentário, gerando endividamento futuro.
Durigan descartou o risco de all in fiscal?
Sim. Em entrevista na Expert XP, ele rejeitou a avaliação de que o governo Lula estaria promovendo um all in fiscal em 2026.
Qual é a meta de superávit do orçamento de 2027?
O orçamento a ser enviado ao Congresso projeta uma meta de superávit de 0,5% do PIB.
O governo vai cortar programas sociais?
Não. Durigan afirmou que programas como Bolsa Família e Farmácia Popular estarão integralmente previstos no Orçamento de 2027.
Qual foi o ajuste fiscal feito pela equipe econômica?
Segundo Durigan, a gestão conseguiu promover um ajuste equivalente a cerca de 2% do PIB na trajetória do resultado primário.