Estoques de imóveis disparam 44% em SP, mas Abecip nega excesso de oferta
Estoques de imóveis cresceram 44% em São Paulo e 8% no Brasil no 1º semestre de 2026, segundo dados da Abecip, CBIC e Secovi-SP. Apesar do salto, a Abecip rejeita risco de excesso de oferta, apontando que vendas e crédito imobiliário seguem em expansão.
Estoques de imóveis disparam 44% em SP, mas Abecip rejeita risco de excesso de oferta
Os estoques de imóveis cresceram 8% no Brasil e 44% na capital paulista entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Secovi-SP apresentados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Apesar do salto, a entidade afasta, ao menos por enquanto, a interpretação de que o aumento da oferta represente um problema para o setor.
Resposta direta: Os estoques de imóveis cresceram 8% no Brasil (351 mil unidades) e 44% em São Paulo (89 mil unidades) entre janeiro e maio de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, segundo dados da CBIC e Secovi-SP. A Abecip, no entanto, rejeita a interpretação de excesso de oferta, destacando que as vendas subiram 4% no país e 9% em SP, enquanto o crédito imobiliário avançou 23% no primeiro semestre.
O que dizem os números de estoque no Brasil e em SP
No Brasil, os estoques somaram 351 mil unidades, alta de 8% na comparação entre janeiro e maio de 2026 e o mesmo período do ano passado. Já na capital paulista, o volume chegou a 89 mil unidades, um salto de 44% na mesma base. Os dados foram compilados pela CBIC e Secovi-SP e apresentados pela Abecip em balanço do primeiro semestre, divulgado em 28 de julho.
Vendas e lançamentos também crescem, mas em ritmo menor
A expansão dos estoques não ocorreu em um ambiente de desaceleração da demanda, segundo a Abecip. No Brasil, as vendas de imóveis cresceram 4% no primeiro trimestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, para 111 mil unidades vendidas. Em São Paulo, a alta foi de 9% entre janeiro e maio, para 103 mil unidades.
Os lançamentos na capital paulista avançaram 11% na mesma base, para 53 mil unidades. Já o volume nacional caiu 5%, para 98 mil unidades, após um forte avanço observado no ano passado. A diferença entre o ritmo de lançamentos (11%) e vendas (9%) em SP ajuda a explicar o estoque maior.
Crédito imobiliário cresce 23% e financia 680 mil imóveis
O crédito imobiliário avançou 23% no primeiro semestre de 2026, financiando cerca de 680 mil imóveis entre construções e aquisições. Os financiamentos via FGTS cresceram 22% e somaram R$ 77,6 bilhões, enquanto as operações com recursos da poupança avançaram 12%. A Abecip não vê redução na disponibilidade de crédito neste momento, apesar da alta das curvas de juros de médio e longo prazo.
Abecip rejeita leitura de excesso de oferta
Para Michel Cury, presidente da Abecip, o indicador de estoque deve ser acompanhado, mas não permite conclusões automáticas. "O estoque tem um crescimento, especialmente em São Paulo, mas não é razoável classificá-lo automaticamente como excesso de oferta", afirmou. Segundo ele, o mercado passa por ajustes naturais entre o ritmo de lançamentos e o de absorção das unidades.
Distratos sobem ligeiramente, mas sem deterioração
A taxa média de distratos sobre vendas dos últimos 12 meses passou de aproximadamente 4,5% em 2024 para 4,8% em 2026. "Quando olhamos para a parte dos distratos, notem que tem um ligeiro aumento aqui no ano de 2026. É uma pequena elevação. Não tem uma conclusão imediata aqui de deterioração. O indicador precisa ficar em alerta. É um tema que precisa ficar em acompanhamento", afirmou Cury durante a apresentação.
Por que os estoques estão subindo mais em SP?
Uma das hipóteses levantadas é que incorporadoras continuam apostando em uma demanda sustentada pelos bons indicadores de emprego e renda, além da expansão dos financiamentos habitacionais com recursos do FGTS e do Minha Casa, Minha Vida. Em São Paulo, os lançamentos avançaram 11%, enquanto as vendas cresceram 9%, um descompasso que, somado ao volume maior de unidades lançadas, elevou os estoques em 44%.
Juros sobem, mas crédito segue disponível
A Abecip destacou que as curvas de juros de médio e longo prazo subiram ao longo do primeiro semestre, elevando os custos de captação das instituições financeiras. Mesmo assim, a entidade não vê impactos relevantes sobre a disponibilidade de crédito neste momento. "A gente não vê uma redução da disponibilidade de crédito", afirmou Cury.
Perguntas Frequentes
O que é a Abecip?
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) representa instituições financeiras que atuam no crédito imobiliário e na poupança, divulgando dados periódicos sobre o mercado.
Os estoques de imóveis em SP realmente indicam excesso de oferta?
A Abecip rejeita essa interpretação. Embora os estoques tenham crescido 44% em SP, as vendas e o crédito imobiliário também avançaram, e a entidade vê o movimento como ajuste natural entre lançamentos e absorção.
Qual a taxa atual de distratos no mercado imobiliário?
A taxa média de distratos sobre vendas dos últimos 12 meses passou de aproximadamente 4,5% em 2024 para 4,8% em 2026, segundo a Abecip. O presidente da entidade classificou o aumento como ligeiro e sem deterioração relevante.
O crédito imobiliário está mais caro com a alta dos juros?
As curvas de juros de médio e longo prazo subiram, elevando custos de captação, mas a Abecip afirma que não há redução na disponibilidade de crédito neste momento.
Como o FGTS influencia o mercado imobiliário?
No primeiro semestre de 2026, os financiamentos via FGTS cresceram 22% e somaram R$ 77,6 bilhões, sustentando parte da demanda por imóveis, especialmente no programa Minha Casa, Minha Vida.
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