Economia

Irã ataca bases americanas; Arábia Saudita se junta aos EUA em ataques no Iraque

ResumoO Irã atacou bases americanas durante a noite, enquanto Estados Unidos e Arábia Saudita realizaram ataques contra milícias apoiadas por Teerã no Iraque. O petróleo Brent subiu quase 4%, para US$ 87,10, e o Estreito de Ormuz permanece fechado, interrompendo o trânsito de petroleiros.

O Irã atacou forças americanas durante a noite, enquanto Estados Unidos e Arábia Saudita atingiram milícias apoiadas por Teerã no Iraque, pondo fim a uma trégua de dias. O petróleo Brent subiu quase 4%, para US$ 87,10, e o Estreito de Ormuz permanece fechado.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 29 de julho de 2026
Irã ataca bases americanas; Arábia Saudita se junta aos EUA em ataques no Iraque

Irã ataca bases americanas; Arábia Saudita se junta aos EUA em ataques no Iraque

O Irã atacou forças americanas durante a noite, enquanto os Estados Unidos e a Arábia Saudita atingiram milícias apoiadas por Teerã no Iraque, pondo fim abruptamente a uma trégua de hostilidades que durava dias. O petróleo Brent subiu quase 4%, para US$ 87,10 o barril, elevando seu ganho acumulado em julho para 20%.

A série de ataques ocorreu horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que preferia evitar a escalada do conflito e ter se mostrado otimista quanto às chances de um avanço diplomático. Os recentes confrontos demonstram o quão distantes o Irã e os EUA estão de reiniciar formalmente as negociações de paz.

Como foi o ataque do Irã contra bases americanas

Os militares dos EUA disseram que a Guarda Revolucionária Islâmica disparou vários mísseis balísticos do Irã contra tropas americanas na região, com todos os projéteis sendo interceptados. A mídia iraniana afirmou que a Guarda Revolucionária atacou uma base na Jordânia em resposta a "ações agressivas dos EUA", sem fornecer detalhes.

A resposta conjunta de EUA e Arábia Saudita no Iraque

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram conjuntamente armas e outros locais pertencentes a "terroristas alinhados ao Irã" no Iraque, segundo o exército americano. De acordo com os americanos, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) teria ordenado que essas mesmas milícias lançassem mais de 30 ataques com drones nos últimos dias.

No final da terça-feira, a Arábia Saudita afirmou ter interceptado drones lançados por grupos iraquianos que tinham como alvo suas instalações petrolíferas pelo segundo dia consecutivo.

O fechamento do Estreito de Ormuz e o impacto no petróleo

O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado, com quase nenhum navio transitando por ali, pelo menos nenhum com seus transponders ligados. No início da quarta-feira, a agência de notícias estatal iraniana IRIB informou que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) alegou ter "atingido e imobilizado" três petroleiros nas últimas horas. Segundo a reportagem, eles estavam "navegando por uma rota insegura e ilegal".

O petróleo Brent subiu quase 4% na quarta-feira, para US$ 87,10 o barril, ainda bem abaixo do patamar de US$ 100 atingido na quinta-feira, pouco antes de os Estados Unidos e o Irã suspenderem os ataques mútuos.

As negociações frustradas com Omã

As negociações entre o Irã e Omã para aumentar o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, uma via vital para o fluxo de energia e outras commodities como alumínio e hélio, parecem ter fracassado. Segundo a mídia iraniana, negociadores iranianos rejeitaram uma proposta omanita para a abertura de um canal controlado igualmente por ambos os países. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que Teerã deseja ter controle exclusivo sobre as embarcações que entram no Golfo Pérsico.

Omã esperava poder fazer uma declaração nos próximos dias sinalizando progresso. Autoridades omanitas acreditam que um acordo de transporte marítimo com o Irã permitiria que Washington e Teerã voltassem à mesa de negociações.

Milícias iraquianas e a nova frente dos houthis

A decisão das milícias iraquianas de se juntarem ao conflito aumenta o risco de uma nova frente se abrir e da guerra se intensificar. Não se sabe que a Arábia Saudita tenha atacado território iraquiano nos últimos anos. O Irã financia e treina grupos militantes xiitas no Iraque desde cerca de 2003, quando a invasão dos EUA derrubou o ditador Saddam Hussein.

Washington está tentando diluir a influência do Irã sobre esses grupos. Este mês, na Casa Branca, Trump recebeu o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que prometeu tentar desarmar as milícias. Elas continuam poderosas, tanto política quanto militarmente, e muitas delas têm membros que são parlamentares eleitos.

As ações das milícias iraquianas seguem-se a ataques contra instalações petrolíferas e navios sauditas no Mar Vermelho, perpetrados pelos houthis, um grupo apoiado pelo Irã e baseado no Iêmen. A organização islâmica anunciou um bloqueio aos portos sauditas e atacou alguns navios na semana passada. Em seguida, as forças do reino atacaram posições militares dos houthis, e o grupo retaliou disparando drones e mísseis contra as cidades portuárias sauditas de Yanbu e Jizan no sábado.

As operações dos Houthis abriram uma nova frente na guerra e podem efetivamente fechar o estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, outro importante ponto de estrangulamento para os mercados globais de petróleo e gás natural liquefeito. Embora alguns navios ainda estejam atravessando o Estreito de Bab el-Mandeb, vários outros já deram meia-volta.

O custo político do conflito para Trump

O conflito já dura seis meses e está causando muita frustração ao presidente dos EUA, Donald Trump. Com a disparada dos preços da gasolina nos EUA e a crescente oposição dos americanos à guerra, sua popularidade está sendo prejudicada às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.

Os Estados Unidos e o Irã suspenderam os ataques no final da semana passada para dar outra chance à diplomacia, o que levou a uma queda significativa nos preços da energia. Os investidores também aguardam os resultados das gigantes da tecnologia Microsoft e Meta Platforms.

Perguntas Frequentes

O Irã atacou diretamente bases americanas?

Sim. A Guarda Revolucionária Islâmica disparou vários mísseis balísticos do Irã contra tropas americanas na região, com todos os projéteis sendo interceptados pelos militares dos EUA.

A Arábia Saudita participou dos ataques no Iraque?

Sim. Os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram conjuntamente armas e outros locais pertencentes a "terroristas alinhados ao Irã" no Iraque, segundo o exército americano.

Qual foi o impacto no preço do petróleo?

O petróleo Brent subiu quase 4% na quarta-feira, para US$ 87,10 o barril, elevando seu ganho acumulado em julho para 20%.

O Estreito de Ormuz está fechado?

Sim, o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado, com quase nenhum navio transitando por ali. A Guarda Revolucionária Islâmica alegou ter atingido e imobilizado três petroleiros.

Quem são os houthis e o que eles fizeram?

Os houthis são um grupo apoiado pelo Irã e baseado no Iêmen. Eles atacaram instalações petrolíferas e navios sauditas no Mar Vermelho, abrindo uma nova frente na guerra e ameaçando fechar o estreito de Bab el-Mandeb.

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