Datafolha dá alívio a Lula e freia avanço de Flávio
Novo Datafolha mantém Lula à frente no primeiro turno e repete o empate técnico do segundo turno, freando a expectativa de avanço de Flávio Bolsonaro. Levantamento foi feito em meio à crise no STF sobre o Banco Master.
A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) interrompe a leitura de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) reduziria rapidamente a distância sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, ante 35% de Flávio. Na rodada de 3 de setembro, o placar era de 38% a 33%.
As oscilações ficaram dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O dado mais relevante para medir a distância real entre os dois está no segundo turno: Lula mantém 46% e Flávio, 44%, exatamente os mesmos percentuais da pesquisa anterior. O empate técnico, portanto, continua.
Para a campanha do senador, o levantamento freia a expectativa de crescimento contínuo. Flávio avançou dois pontos no primeiro turno, mas Lula também oscilou positivamente e preservou a liderança. A distância no confronto decisivo permaneceu parada.
O que o Datafolha mediu e o que ficou de fora
As 2.002 entrevistas foram realizadas entre os dias 8 e 10 de setembro, período marcado pelo agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações sobre o Banco Master. A sucessão de decisões envolvendo ministros do Supremo, a Polícia Federal e as investigações sobre Daniel Vorcaro ampliou a exposição do caso justamente durante a coleta.
A pesquisa era aguardada como um primeiro termômetro sobre a possibilidade de a crise produzir efeitos eleitorais. Até agora, o Datafolha não identifica mudança relevante na disputa entre Lula e Flávio nesse período. A estabilidade do segundo turno impede atribuir vantagem eleitoral clara a qualquer um dos dois a partir do episódio ligado ao Judiciário, que tem sido explorado pelas campanhas para aumentar a rejeição do oponente.
Há uma limitação temporal importante. A coleta terminou na quinta-feira (10), antes que os desdobramentos mais recentes do caso Dark Horse tivessem tempo de alcançar os entrevistados de maneira mais ampla. O caso ganhou nova exposição com a Operação Make Up, da Polícia Federal, que investiga suspeitas envolvendo emendas parlamentares e entidades ligadas à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
A quebra de sigilo das investigações, a pedido do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, trouxe novos detalhes sobre o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa decisão também ocorreu depois da coleta e ainda não poderia ter afetado os dados divulgados nesta sexta-feira. Esse impacto, caso exista, deverá aparecer com maior clareza nos próximos levantamentos.