China é "dilema mais difícil" para desacelerar IA, diz CEO da Anthropic
Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou à CBS News que o maior obstáculo para desacelerar a IA é a possibilidade de a China não seguir o mesmo caminho. A fala veio um dia após um ensaio em que ele propõe frear modelos avançados.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou neste domingo, em entrevista ao programa "Sunday Morning", da CBS News, que o maior obstáculo à sua proposta de desacelerar o avanço da inteligência artificial é a possibilidade de nações rivais, sobretudo a China, não seguirem o mesmo caminho.
A fala veio um dia depois de Amodei publicar um ensaio pedindo que as empresas de IA reduzam a velocidade com que aprimoram seus modelos mais avançados. No texto, ele propôs um plano em três etapas para frear o desenvolvimento sem comprometer a vantagem comercial das empresas americanas nem a liderança dos Estados Unidos no setor.
O que Amodei disse sobre a China
Amodei disse à CBS News que um acordo para estabelecer um "limite de velocidade" no ritmo de progresso da IA seria "muito difícil", já que os incentivos para avançar mais rápido, incluindo a vantagem militar envolvida, são grandes demais. Ele afirmou não saber se essa coordenação é sequer viável, mas defendeu que o esforço deveria ser feito.
A Anthropic afirma já ter adotado unilateralmente a primeira etapa do plano, que prevê acesso equivalente ao de funcionários para avaliadores externos verificarem práticas de segurança na empresa.
Reações do setor e o cenário regulatório
O ensaio foi divulgado após alertas de pesquisadores do setor sobre o potencial da tecnologia de causar danos catastróficos. Um deles partiu de dentro de casa: Jacob Coxon, pesquisador da própria Anthropic, afirmou publicamente que a empresa e sua principal rival, a OpenAI, estão "apostando com nossas vidas".
Apesar do histórico de relação desgastada entre os dois executivos, o CEO da OpenAI, Sam Altman, manifestou apoio ao ensaio de Amodei em publicação na rede social X, dizendo concordar com a necessidade de moderar o ritmo de desenvolvimento da fronteira tecnológica da IA. O presidente do Google DeepMind, Demis Hassabis, chamou a proposta de "caminho correto". O bilionário Elon Musk defendeu que empresas rivais façam revisão mútua das práticas de segurança em IA.
O momento é sensível. O setor enfrenta reação pública contrária a seus data centers e pressão crescente por regulação em Washington. Anthropic e OpenAI também se preparam para possíveis aberturas de capital, ainda sem data definida. Neste sábado, Sam Altman disse à revista Fortune que a OpenAI provavelmente não deve abrir capital neste ano, citando preocupações com segurança.
No mesmo domingo, o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu na cúpula do BRICS, na Índia, a criação de um "arcabouço de governança global de IA baseado em consenso" e anunciou que o país apoiará uma comunidade de código aberto em IA entre os países do bloco. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir com Xi na Casa Branca em 24 de setembro, encontro no qual o tema da IA deve ser discutido.