Campanhas apostam na crise do STF, mas voto pouco muda
Levantamento do Datafolha feito entre 8 e 10 de setembro indica que a crise no STF movimentou as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, mas não alterou a decisão de voto da maioria. No primeiro turno, Lula tem 39% e Flávio, 35%.
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) virou tema central das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Só que, até agora, ela mexeu menos no voto do que a movimentação política sugere. É o que aponta a nova pesquisa Datafolha, feita entre 8 e 10 de setembro, justamente no período em que o conflito na Corte escalou em torno das investigações sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e a atuação dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
O placar da disputa presidencial praticamente não saiu do lugar. No primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 35% de Flávio. No segundo turno, a diferença segue em 46% a 44%, exatamente como na rodada anterior do levantamento.
O dado que mais chama atenção é a resposta direta do eleitor sobre os episódios que alimentaram a crise. Entre os entrevistados, 85% disseram que as mensagens entre Moraes e Vorcaro não mudaram nem devem mudar seu voto para presidente. Outros 7% afirmaram que ficaram em dúvida, mas mantiveram a escolha. Apenas 4% declararam ter trocado de candidato.
O efeito do conflito envolvendo Mendonça foi ainda menor. Questionados sobre o pedido de Moraes para investigar o ministro, 86% disseram que o episódio não alterou o voto e 2% afirmaram ter mudado de candidato.
O que as campanhas tentaram explorar
Os números ajudam a medir o tamanho real que a crise ganhou nas estratégias políticas. Aliados de Flávio passaram a explorar o desgaste de Moraes e do Supremo. Governistas e setores da esquerda concentraram críticas na atuação de Mendonça e na defesa institucional da Corte.
Até este momento, o Datafolha não mostra que nenhuma dessas narrativas tenha produzido uma mudança relevante na corrida presidencial. Para Flávio, o resultado interrompe a expectativa de que o desgaste institucional pudesse ampliar o avanço registrado nas pesquisas anteriores. Para Lula, a estabilidade evita uma deterioração no momento em que o STF ocupa o centro do debate político.
Eleitor separa crítica ao ministro do papel da Corte
A pesquisa também indica que o eleitor faz uma distinção entre criticar a atuação de um ministro e defender o papel institucional do tribunal. Segundo o Datafolha, 71% concordam que o STF é essencial para proteger a democracia no Brasil.
Há uma limitação importante a considerar. A coleta terminou no dia 10 e não captou integralmente a repercussão dos desdobramentos mais recentes do caso Dark Horse, que voltou a aproximar as investigações sobre o Banco Master do entorno político de Flávio. Vale lembrar que o Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal, e que um ministro mandou transferir à PF material apreendido pela Polícia Civil de SP, dizendo que novas provas reforçam a suspeita de esquema de desvio de recursos públicos.
Os próximos levantamentos poderão mostrar se esse novo capítulo produz algum efeito sobre o eleitor. Por enquanto, o Datafolha aponta que a crise mobilizou o sistema político em intensidade maior do que alterou a decisão de voto.