Calendário econômico: Super Quarta decide juros no Brasil e EUA
A semana entre 14 e 18 de setembro concentra a Super Quarta, quando Banco Central e Fed decidem juros. No Brasil, o mercado projeta corte de 0,25 ponto na Selic, para 13,75% ao ano. Veja a agenda completa e o que cada indicador pesa no seu negócio.
A semana entre 14 e 18 de setembro concentra o principal evento do calendário econômico do mês: a Super Quarta, quando o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve, dos Estados Unidos, anunciam suas decisões de política monetária no mesmo dia. Para quem administra uma PME, a data define o custo do crédito que financia capital de giro nos próximos meses.
No Brasil, a expectativa dos mercados é de continuidade no ciclo de corte de juros, com a remoção de mais 25 pontos-base da taxa Selic após o Comitê de Política Monetária (Copom), a 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, a projeção majoritária do mercado é de alta de 0,25 ponto na taxa, para um intervalo entre 3,75% e 4%.
O que o Copom deve decidir na Super Quarta
Segundo os analistas do Itaú, a decisão brasileira provavelmente será unânime e deve refletir a avaliação de que o cenário base evoluiu conforme o esperado no mercado interno, com moderação gradual da atividade econômica e redução da inflação corrente.
O corte de 0,25 ponto, se confirmado, leva a Selic a 13,75% ao ano. É pouco no papel, mas mexe direto na linha de despesa financeira de quem carrega antecipação de recebível ou cheque especial. Cada ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual, e 25 deles alteram a parcela de um empréstimo de capital de giro em prazo curto.
Os analistas do Bradesco avaliam que, mais do que a decisão em si, será importante observar os sinais da comunicação sobre os próximos passos. Ou seja: o comunicado do Copom vale mais que o número anunciado, porque indica se o ciclo de queda continua em outubro e dezembro.
Do lado americano, o Fed entra com o cenário mais imprevisível
A reunião nos EUA está um pouco mais imprevisível. No último encontro, três membros já votaram a favor de alta dos juros. Conforme o Bradesco, com a inflação de agosto surpreendendo para cima, o debate sobre essa necessidade deve ganhar força.
Esse detalhe importa para a PME brasileira por um caminho indireto: juro americano mais alto pressiona o dólar e, por consequência, o custo de insumos importados e de dívidas atreladas à moeda. Se o Fed subir 0,25 ponto e sinalizar mais aperto, o alívio esperado no crédito doméstico pode demorar mais a chegar ao caixa.
Agenda doméstica: os dados que antecedem a decisão
A semana começa com a divulgação do Relatório Focus pelo Banco Central, às 8h25 de segunda-feira. Às 15h, a Secex apresenta os dados da balança comercial semanal.
Na terça-feira, às 9h, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio referente a julho, com indicação de 1,0% na margem mensal, além do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto. Para o varejo, o dado antecipa o termômetro de consumo antes do último trimestre.
Quarta-feira concentra o volume maior de indicadores
Às 8h, a FGV apresenta o IPC-S semanal e o IGP-10 de setembro. O Banco Central divulga, às 9h, o índice IBC-Br de atividade econômica, com indicação de -0,4% na margem mensal. Às 14h30, sai o Fluxo Cambial semanal.
O IBC-Br é o indicador que mais se aproxima de uma prévia do PIB. Uma leitura negativa de 0,4% não confirma recessão, mas sinaliza freio. Para quem vende a prazo, é hora de revisar a política de crédito a clientes antes de ampliar prazo.
Mais tarde, ainda na quarta, às 18h30, está previsto o anúncio da taxa básica de juros, prevista para 13,75%.
Quinta e sexta: o fechamento da agenda
Na quinta-feira, às 5h, a FIPE divulga o IPC de setembro. A semana se encerra com a divulgação da FGV, com a segunda prévia do IGP-M de setembro, às 8h. O IGP-M corrige boa parte dos contratos de aluguel comercial, então o número interessa diretamente a quem tem ponto alugado.
A agenda americana em detalhe
Nos Estados Unidos, a semana começa na terça-feira, às 9h30, com o Índice Empire Manufacturing de atividade de setembro.
Na quarta-feira, às 9h30, será divulgado o dado de vendas no varejo de agosto. Às 15h, o Fed anunciará a decisão de política monetária, no mesmo dia do Brasil. As atenções estarão todas voltadas para o evento.
Na quinta-feira, dois indicadores estão previstos para as 9h30: o Índice de atividade do Fed Filadélfia, referente a setembro, e os pedidos de auxílio-desemprego semanais. Encerrando a agenda americana, a produção industrial de agosto será divulgada na sexta-feira, às 10h15.
O que olhar primeiro se você tem crédito ou contrato indexado
A ordem prática para o dono de PME nesta semana é simples. Primeiro, leia o comunicado do Copom, não apenas o número. Segundo, confira se algum contrato seu está atrelado ao IGP-M ou a índices que serão divulgados na quinta e na sexta. Terceiro, se planeja tomar crédito nos próximos 60 dias, a sinalização do Fed sobre novos apertos define o custo efetivo da operação.
O caixa sente a decisão de juros antes do balanço. Uma semana com esse volume de divulgações costuma antecipar o humor do mercado para o trimestre inteiro.
Perguntas Frequentes
O que é a Super Quarta?
É o dia em que o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve, dos Estados Unidos, divulgam suas decisões de política monetária na mesma data. Nesta semana, o evento ocorre na quarta-feira, 16 de setembro.
Qual a projeção para a Selic na decisão do Copom?
A expectativa dos mercados é de corte de 25 pontos-base, levando a taxa a 13,75% ao ano, conforme indicado no calendário da semana.
Qual a projeção para os juros americanos?
A projeção majoritária do mercado é de alta de 0,25 ponto, para um intervalo entre 3,75% e 4%.
Quais indicadores antecedem a decisão no Brasil?
Na segunda, o Relatório Focus às 8h25 e a balança comercial às 15h. Na terça, a Pesquisa Mensal de Comércio às 9h. Na quarta, o IPC-S e o IGP-10 às 8h, e o IBC-Br às 9h.
Quando sai o anúncio da taxa Selic?
O anúncio está previsto para as 18h30 de quarta-feira, 16 de setembro.
Por que o comunicado do Copom importa mais que o corte em si?
Segundo os analistas do Bradesco, mais do que a decisão, será importante observar os sinais da comunicação sobre os próximos passos, porque eles indicam a direção do ciclo nas reuniões seguintes.