Brent se aproxima de US$ 100 com escalada militar no Estreito de Ormuz
O Brent avançava 1,40% a US$ 97,26 o barril, com escalada militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz. Entenda os riscos e a reação do mercado.
O petróleo começou a semana em alta, com investidores monitorando o risco de novas restrições ao transporte pelo Estreito de Ormuz. Por volta das 10h10 desta segunda-feira (7), o Brent para novembro avançava 1,40%, a US$ 97,26 o barril, na ICE. O WTI para outubro ganhava 0,84%, a US$ 92,25 na Nymex. A escalada militar entre Estados Unidos e Irã segue no centro das atenções, enquanto parte relevante do petróleo do Golfo ainda chega ao mercado.
A pressão sobre as cotações aumentou após uma nova sequência de ataques no fim de semana. No sábado, forças americanas atingiram três petroleiros iranianos. A ação ocorreu depois de o Irã disparar mísseis balísticos contra dois navios de guerra dos EUA. Segundo o Comando Central americano, as embarcações não foram atingidas e não houve feridos. Outro episódio envolvendo um navio comercial foi registrado pelo Omã, que informou ter retirado 16 tripulantes do petroleiro Sidr, de propriedade saudita, após ataque atribuído ao Irã.
A sequência de incidentes amplia a preocupação com Ormuz, passagem responsável por aproximadamente 20% da oferta mundial de petróleo. O Irã ameaçou estabelecer uma nova área de navegação restrita. Apesar das interrupções, carregamentos dos produtores árabes continuam atravessando a região. O Wall Street Journal informou que os EUA vêm auxiliando esses países a manter o escoamento, enquanto o bloqueio naval americano impede exportações iranianas pelo Golfo Pérsico desde julho.
O posicionamento dos investidores também mudou. Na semana passada, aumentaram as posições líquidas compradas em Brent, mas principalmente porque operadores reduziram apostas na queda, não por entrada expressiva de novas posições. Fora do Oriente Médio, a oferta ganhou sinal de estabilidade no domingo: integrantes da Opep e aliados decidiram preservar em outubro os atuais níveis de produção, interrompendo seis meses de aumentos.
Os próximos dias devem continuar sensíveis a qualquer novo incidente na região. Quem opera petróleo precisa separar o ruído geopolítico do fundamento real de oferta e demanda. A decisão da Opep de segurar produção sugere que o mercado ainda não vê escassez imediata, mas o prêmio de risco segue alto enquanto Ormuz estiver sob ameaça.