Economia

BC e BCE estudam integração entre Pix e pagamento instantâneo europeu

ResumoBanco Central do Brasil e Banco Central Europeu avaliam a integração entre o Pix e o sistema TIPS, com um projeto-piloto potencialmente previsto para 2028. A iniciativa busca conectar pagamentos instantâneos entre Brasil e Europa, reduzindo custos e prazos de transações transfronteiriças. A parceria depende de acordos técnicos e regulatórios entre as instituições.

Banco Central do Brasil e Banco Central Europeu estudam integrar Pix e TIPS, com possível piloto em 2028. Entenda o contexto e os impactos.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 03 de setembro de 2026
BC e BCE estudam integração entre Pix e pagamento instantâneo europeu

O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) estão analisando uma possível integração entre o Pix e o sistema europeu de pagamentos instantâneos TIPS, em iniciativa que pode marcar a primeira expansão transfronteiriça do modelo brasileiro. A informação foi revelada por duas pessoas com conhecimento direto do assunto, que falaram sob condição de anonimato, e publicada primeiramente pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira.

Segundo as fontes, as equipes técnicas dos dois bancos centrais avaliam a viabilidade da interconexão. Uma delas afirmou que um projeto-piloto poderá ser lançado em 2028, caso a iniciativa avance conforme o planejado. O BCE, em comunicado à Reuters, confirmou que há uma investigação preliminar em andamento para explorar a possível interconexão entre o TIPS e o Pix. Em junho, a instituição europeia já havia classificado o Pix como um "corredor de moeda em fase de exploração" para o TIPS.

O movimento ocorre em um momento em que o Pix se tornou ponto de atrito entre Brasília e Washington. O governo dos Estados Unidos, sob a gestão Trump, busca proteger empresas americanas do crescente apelo do modelo em dezenas de países. A plataforma foi citada entre as "práticas desleais" que os EUA usaram para justificar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros em julho.

No mês passado, o BC informou que avaliava ligações entre o Pix e sistemas de pagamento semelhantes no exterior, sinalizando impulso mais concreto rumo à integração transfronteiriça. O BC já assinou acordos de compartilhamento de informações sobre o Pix com 65 contrapartes estrangeiras. Isso ampliou o mal-estar em Washington, em meio a debates nas principais economias emergentes sobre redução da dependência do dólar norte-americano.

Desde o lançamento, no final de 2020, o Pix transformou o cenário de pagamentos no Brasil, trazendo dezenas de milhões de pessoas ao sistema financeiro e reduzindo a participação dos cartões de débito e crédito, o que afeta redes globais como Mastercard e Visa. Para comerciantes, os custos de transação são significativamente mais baixos, contornando grande parte da cadeia tradicional de pagamentos com cartão.

integração Pix e sistemas internacionais

O que essa possível integração significa na prática? Se concretizada, seria o primeiro passo do Pix fora do Brasil, conectando-o a um dos maiores sistemas de pagamento do mundo. Mas ainda há incógnitas: o piloto depende de avanço técnico e político, e o cronograma de 2028 é uma projeção preliminar. Por ora, o que se sabe é que as conversas existem e que o BCE reconhece formalmente o interesse. impacto do Pix no comércio eletrônico

Para quem acompanha o setor, a notícia reforça uma tendência: sistemas nacionais de pagamento instantâneo deixam de ser ferramentas locais e passam a disputar espaço no cenário global. A integração com o TIPS, se confirmada, colocaria o Pix em um novo patamar de interoperabilidade, com impacto potencial sobre tarifas, alcance e competitividade. Mas, como toda negociação entre bancos centrais, o caminho até um acordo final costuma ser longo e cheio de condicionantes.

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