Matéria escura: o que é e por que possível detecção agita cientistas
Cientistas detectaram um sinal inédito no detector LZ que pode ser a primeira evidência direta de matéria escura. Entenda o que é essa estrutura invisível que compõe 27% do universo e por que a descoberta agita a física.
Pesquisadores identificaram pela primeira vez um possível sinal de matéria escura, estrutura invisível que mantém o universo unido. O evento foi registrado pelo detector LZ, na Instalação de Pesquisa Subterrânea de Sanford, na Dakota do Sul, nos Estados Unidos.
Após análises, físicos divulgaram nesta terça-feira (1º) que o sinal não se encaixa na interação de partículas já conhecidas do mundo subatômico, o que indica uma possível detecção de matéria escura.
A matéria escura é uma espécie de "cola" do universo, constituindo a maior parte do que existe em todas as galáxias e aglomerados de galáxias. Cientistas estimam que a matéria comum representa apenas cerca de 5% do universo, enquanto a matéria escura constitui cerca de 27%. O restante é considerado energia escura, um mistério da ciência.
O detector LZ é um tanque com 7 toneladas de xenônio líquido. Partículas que entram no tanque interagem com os átomos, criando flashes de luz característicos que trazem informações sobre a composição do universo.
Tudo o que é possível enxergar, como estrelas, planetas e roupas, é matéria comum, pois reflete luz. Já a matéria escura não absorve, reflete ou emite luz, o que dificulta sua identificação. Ainda assim, ela interage com a matéria comum por meio da gravidade.
Por possuir massa e ocupar espaço, a matéria escura influencia a matéria comum em todo o cosmos, permitindo que cientistas a estudem indiretamente.
Com evidências suficientes para comprovar sua existência, os pesquisadores agora buscam entender o que ela é e onde está distribuída pelo universo. Essa compreensão pode responder grandes questões sobre como o cosmos se organizou e se transformou ao longo da história.