Economia

Teleférico do Alemão: reta final após 10 anos parado

ResumoO Teleférico do Alemão, no Rio de Janeiro, entra na reta final de recuperação após 10 anos parado. A obra prevê troca de cabos, com conclusão em fevereiro e entrega em junho. O custo total do projeto é de R$ 251 milhões.

Após 10 anos parado, o Teleférico do Alemão entra na reta final da recuperação. Cabos serão trocados, com conclusão prevista para fevereiro e entrega em junho. Custo: R$ 251 milhões.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 07 de setembro de 2026
Teleférico do Alemão: reta final após 10 anos parado

Após 10 anos parado, o Teleférico do Alemão começa a ter os cabos de sustentação das gôndolas trocados na próxima semana. Desativado desde outubro de 2016, quando o sistema parou por falta de manutenção em meio à crise financeira do estado, o equipamento entra agora na reta final da recuperação. A nova data para a conclusão das obras é fevereiro, mas ainda serão feitos testes com carga e sem carga até a entrega do serviço para a Secretaria estadual de Transportes em junho do próximo ano. Não há previsão de quando os moradores poderão voltar a usar o transporte.

Mesmo se não houver novos imprevistos, as gôndolas ficarão mais tempo paradas do que funcionando. Inaugurado em julho de 2011, como uma grande obra para a cidade, o teleférico operou apenas por cinco anos e três meses. O custo final da recuperação ficará em R$ 251 milhões, de acordo com o governo. O valor inclui gastos com a reforma das seis estações (Bonsucesso, Adeus, Baiana, Alemão, Itararé e Paineiras), a compra de materiais importados e a despesa de instalação da nova tecnologia.

Em 2022, a previsão do então governador Cláudio Castro era gastar R$ 170 milhões e retomar o serviço em dois anos. Mas o cronograma do governo passado não foi cumprido, e o orçamento acabou revisto. O atual secretário estadual de Obras Públicas, Pablo Villarim, explicou que os cabos novos são mais resistentes que os originais, com vida útil de dez anos, o dobro do material inicial. As gôndolas passaram por modernização, com novo sistema que melhora a ventilação interna e impede a entrada de água da chuva. A equipe do governador em exercício Ricardo Couto, no cargo desde março, precisou renegociar os contratos firmados para a recuperação.

Um dos pontos de preocupação era o prazo de garantia dos novos cabos dado pela multinacional francesa Poma, fornecedora do produto. A empresa concordou com a ampliação de cinco para dez anos, sem custo adicional, já que o material não chegou ao Brasil todo de uma vez. Além de cabos e gôndolas, foram recuperadas as instalações físicas que no passado abrigaram a sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na estação Alemão e outros órgãos do governo do estado, bem como dispositivos eletrônicos e elétricos do sistema.

Na crise de 2016, contratos com empresas que faziam a segurança dos equipamentos foram rescindidos, e os espaços acabaram invadidos e saqueados. Fios de cobre e esquadrias de alumínio foram furtados em quase todas as estações. Apenas a de Bonsucesso, mais afastada da comunidade e onde foram armazenadas as 152 gôndolas, ficou mais preservada. Nas estações, também foram instalados novas escadas rolantes, elevadores, sistema de som e câmeras de segurança.

A Secretaria da Casa Civil informou que ainda estuda um plano para organizar os serviços que vão funcionar nos locais, mas que a decisão só será tomada após conversa com o governador eleito em outubro. Caberá ao novo chefe do Executivo definir como será a operação do sistema e se haverá cobrança de passagens. Importadas da Suíça, as peças de reposição chegaram ao Brasil há pouco mais de um ano e estão armazenadas no Comando de Operações Especiais da PM, em Ramos.

A instalação dos cabos, a última fase da obra, começa com o transporte de 78 toneladas de bobinas e equipamentos eletrônicos até as estações Palmeiras e Adeus, que serão usadas de base. A logística é complexa e deve demorar três dias. Inicialmente, o serviço ocorreria esta semana, mas foi adiado por causa da chuva. O plano é levar os equipamentos para o complexo durante a madrugada e subir a carga no início da manhã. Cerca de 150 operários vão trabalhar na substituição, que exigirá um guincho especial para manter os cabos tracionados. O teleférico tem um percurso de 3,5 quilômetros.

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