Anti-trade? América Latina ganha apelo como opção ao tema IA - e Brasil se destaca
A América Latina aparece como alternativa ao tema IA, com Brasil no centro. Itaú BBA e JPMorgan destacam valuations descontados, crescimento de lucros de dois dígitos e baixa correlação com tecnologia. Entenda por que a região atrai investidores.
Anti-trade? América Latina ganha apelo como opção ao tema IA - e Brasil se destaca
A América Latina aparece como alternativa ao tema IA. Itaú BBA e JPMorgan veem Brasil com valuation atrativo e baixa correlação com tecnologia. A região negocia a 9,7 vezes lucro projetado, 12% abaixo da média histórica.
América Latina como alternativa ao tema IA
Em relatório de estratégia para o segundo semestre de 2026, o Itaú BBA reforçou recomendação overweight (exposição acima da média) para a América Latina, com preferência pelo Brasil. O banco argumenta que a região combina valuations descontados, crescimento de lucros de dois dígitos e baixa correlação com ações de tecnologia.
A carteira recomendada oferece potencial de retorno total de aproximadamente 30%, incluindo dividendos. A região negocia a múltiplos inferiores aos seus padrões históricos e aos de outros mercados globais.
Por que a América Latina se destaca
Um diferencial é a ausência quase total de exposição ao setor de tecnologia. Enquanto tecnologia representa 41,7% do índice de mercados emergentes (EM), a participação no índice latino-americano é praticamente nula. Isso reduziu a correlação da região com Coreia do Sul e Taiwan, principais beneficiárias do ciclo de IA.
Desde o pico do movimento ligado à IA em 22 de junho, a América Latina superou o desempenho do MSCI dos mercados emergentes em cerca de 14 a 15 pontos percentuais, movimento liderado principalmente pelo Brasil.
Brasil como principal overweight
O Itaú BBA mantém o Brasil como principal overweight, impulsionado por valuation atrativo e qualidade dos ativos. O mercado brasileiro negocia a cerca de 8,4 vezes lucro projetado, um dos menores múltiplos entre os principais emergentes.
Entre as recomendações para a região estão ações brasileiras como BTG Pactual (BPAC11), Equatorial (EQTL3), Axia Energia (AXIA3), Petrobras (PETR4) e Embraer (EMBJ3).
JPMorgan também aposta na região
O JPMorgan também segue overweight em ações de mercados emergentes e mantém o Brasil entre seus mercados preferidos, ao lado de China, Coreia do Sul, Taiwan e África do Sul. O banco vê espaço para recuperação após correção recente e destaca que lucros das empresas emergentes continuam crescendo em ritmo superior ao dos mercados desenvolvidos.
Riscos e projeções
Apesar da visão construtiva, o Itaú BBA alerta para riscos como um Federal Reserve mais hawkish, fortalecimento do dólar, pressões inflacionárias associadas ao El Niño e incertezas políticas e fiscais. Para o Brasil, o banco projeta crescimento de 2,1% em 2026, inflação de 5,4% e Selic terminal em 14% neste ano.
Perguntas Frequentes
O que é um anti-trade em IA?
É uma estratégia de investimento que busca alternativas ao tema de inteligência artificial, que concentrou ganhos recentes em mercados emergentes.
Por que a América Latina é uma opção?
Por ter baixa correlação com tecnologia, valuations descontados e crescimento de lucros de dois dígitos, segundo Itaú BBA e JPMorgan.
Quais ações brasileiras são recomendadas?
BTG Pactual (BPAC11), Equatorial (EQTL3), Axia Energia (AXIA3), Petrobras (PETR4) e Embraer (EMBJ3), conforme relatório do Itaú BBA.
Qual o múltiplo da América Latina?
A região negocia a 9,7 vezes lucro projetado, cerca de 12% abaixo da média histórica.
Quais os principais riscos?
Fed mais hawkish, dólar forte, El Niño e incertezas políticas e fiscais, segundo o Itaú BBA.