Economia

Ameaça nuclear do Irã: o que é a Montanha Picareta

ResumoA Montanha Picareta é uma instalação nuclear iraniana fortificada sob cerca de 100 metros de granito, na região de Natanz. Imagens de satélite do CSIS indicam avanço da construção no local, que Donald Trump afirmou poder atacar. A estrutura é considerada um dos alvos mais protegidos do programa nuclear do Irã.

Imagens de satélite do CSIS apontam avanço da construção na Montanha Picareta, fortificação iraniana que Trump diz poder atacar. Entenda o que há sob os 100 metros de granito.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 14 de setembro de 2026
Ameaça nuclear do Irã: o que é a Montanha Picareta

Imagens de satélite analisadas pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) mostram aumento na atividade de construção na fortificação iraniana da Montanha Pickaxe, a Picareta em tradução literal. O dado reforça a suspeita de que o local venha sendo preparado para se tornar instalação de enriquecimento de urânio ou refúgio nuclear do país.

A Montanha Picareta é uma instalação subterrânea iraniana na província de Isfahan, construída sob cerca de 100 metros de granito, a quase 1,5 quilômetro ao sul do complexo de Natanz. Imagens do CSIS apontam avanço da construção, e o presidente Donald Trump disse a jornalistas que os EUA poderiam atacá-la em breve.

O que explica a atenção sobre o local

Em julho, a inteligência israelense disse acreditar que o Irã transferiu milhares de centrífugas nucleares para túneis profundos dentro da montanha, onde há uma instalação subterrânea fortificada perto de Natanz, conforme reportagem do Wall Street Journal. A avaliação afirmava que as centrífugas poderiam enriquecer o estoque estimado de 440 quilos de urânio a 60% até grau de armamento.

A construção começou em 2020, meses após uma explosão destruir uma fábrica de montagem de centrífugas acima do solo em Natanz, em ataque atribuído a Israel. O local foi escolhido porque o granito duro e denso oferece proteção natural a qualquer coisa escavada sob ele.

A AIEA nunca teve acesso ao local. Há perímetro duplo de segurança, com cerca e muro de patrulha, além de duas entradas de túnel, uma a leste e outra a oeste. O Irã afirma que o espaço serve à produção e montagem de centrífugas avançadas, mas análises apontam que ele comportaria uma planta de enriquecimento funcional e até uma fundição de urânio metálico.

Por que é difícil atacar

Especialistas consideram muito difícil danificar instalação sob 100 metros de granito. A GBU-57, maior bomba anti-bunker do arsenal dos EUA, penetra 18 metros de concreto ou 61 metros de terra. As entradas dos túneis são moldadas em curva em U, o que reduz ondas de choque e impede mísseis de voar direto pelo corredor.

Uma análise do Instituto de Ciência e Segurança Internacional destaca que instalação enterrada ainda precisa respirar: energia, ventilação, entregas e pessoas entrando e saindo seriam a vulnerabilidade a explorar. Outros locais do programa iraniano, em Amad, Fordow e Shahid Boroujerdi, tinham dutos de ventilação e foram alvos de ataques aéreos em junho de 2025 e março de 2026. O Pentágono pode mirar entradas de túneis com mísseis de cruzeiro ou recorrer a forças terrestres, estratégia que deu certo em Natanz em 2020.

O governo iraniano insiste que não há nada para bombardear. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, disse em julho que "nenhuma atividade nuclear está ocorrendo" na montanha e chamou as ameaças dos EUA de "um pretexto fabricado para agressão, destruição e sabotagem". Mehdi Mohammadi, conselheiro do presidente do parlamento, chamou o local de "a instalação nuclear mais fortificada do mundo" e disse que um ataque "transformaria a região em um inferno". O comando militar conjunto do Irã alertou que qualquer ataque a locais nucleares ou sensíveis ampliaria a guerra.

programa nuclear do Irã tensão entre EUA e Irã

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