Vale (VALE3) quer avançar em terras raras? Planos da mineradora
A Vale (VALE3) apresentou plano para destravar mineração e gerar 2,3 milhões de vagas, mas ainda não confirmou entrada em terras raras. Governo aposta na empresa para liderar minerais críticos.
A Vale (VALE3) apresentou em 18 de agosto um plano para "destravar a mineração" no Brasil, com a promessa de gerar mais de 2,3 milhões de vagas no setor. O documento, chamado "Destravando o Potencial da Mineração no Brasil", foi lançado em fórum homônimo em Brasília, com representantes do governo federal, do setor produtivo e especialistas em infraestrutura. A proposta inclui otimização de licenciamentos, qualificação profissional e a implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Mas a companhia ainda não prevê, oficialmente, a entrada no segmento de terras raras.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse ter intenção de "olhar com a Vale" minerais como lítio, cobre e terras raras. Na Exposibram, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou ter "absoluta certeza" de que a Vale, como referência global, vai olhar para minerais críticos e estratégicos, especialmente terras raras. A fala veio após o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, defender a necessidade de mega projetos no Brasil.
A diretoria da companhia, porém, mantém cautela. Pimenta disse que o foco segue em commodities com vantagem competitiva estabelecida, como minério de ferro, cobre e níquel. "Estamos sempre estudando outras commodities. Terras raras, lítio, são parte de estudo e não tomamos nenhuma decisão de investimento", afirmou. Qualquer iniciativa dependerá de disciplina na alocação de capital.
Enquanto isso, a Vale estuda obter terras raras, ouro e outros minerais a partir de rejeitos de mineração. No Pará, na Barragem do Gelado, a empresa já reaproveita material com dragas elétricas desde 2023, extraindo minério com teor de ferro de 63%. O vice-presidente executivo técnico, Rafael Bittar, disse que a companhia está "cautelosamente otimista" com resultados preliminares, mas ainda não há viabilidade econômica quantificada.
Os entraves para a exploração de terras raras no Brasil vão além da operação da mineradora. Segundo Pablo Cesário, presidente do IBRAM, falta capacidade de processamento mineral em escala industrial e um mercado estruturado no país. A tecnologia e a infraestrutura de mercado estão concentradas majoritariamente na China, o que dificulta o avanço do setor por aqui.