Usiminas, Gerdau e CSN: o que esperar dos resultados no 2T26
A temporada de resultados do 2T26 começa com Usiminas (30/jul), Gerdau (04/ago) e CSN (12/ago). Analistas da XP, BTG, Safra, Itaú BBA e Bradesco BBI projetam cenários distintos: Gerdau e Usiminas devem liderar com margens mais altas, enquanto a CSN enfrenta pressão da mineração.
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) começa com a Usiminas (USIM5) divulgando seus números na quinta-feira (30 de julho), antes da abertura do mercado. A Gerdau (GGBR4) divulga após o fechamento em 04 de agosto, enquanto a CSN (CSNA3) revela os dados em 12 de agosto, depois do fechamento da Bolsa. As projeções das principais casas de análise apontam para um trimestre de contrastes entre as siderúrgicas.
O que esperar das siderúrgicas no 2T26: visão geral
A equipe de analistas da XP vê Gerdau e Usiminas como os destaques entre as ações de commodities. Para as siderúrgicas, a XP espera melhora das margens de ambas as companhias, sustentada por preços realizados mais altos e um mix mais favorável, enquanto as operações da Gerdau na América do Norte devem apresentar outro trimestre forte, apoiadas por volumes e preços sólidos.
Na mesma linha, o BTG acredita que as siderúrgicas serão o destaque do trimestre, com crescimento sequencial do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). O maior poder de precificação e os volumes mais elevados devem mais do que compensar a inflação de custos, ainda que sobre uma base de comparação fraca.
Já o Safra avalia que o segundo trimestre deve evidenciar uma divisão mais clara entre siderúrgicas e mineradoras. Enquanto as empresas de aço tendem a se beneficiar da recuperação operacional, de preços mais favoráveis e da melhora da demanda em mercados estratégicos, as mineradoras continuam enfrentando um cenário desafiador, marcado pela queda dos preços das commodities metálicas e pela pressão de custos. A visão das casas de análise permanece mais construtiva para as siderúrgicas, com destaque para Gerdau e Usiminas.
Gerdau (GGBR4): projeções de Ebitda e margens
O BTG ressalta sua preferência por Gerdau, sustentada pela alta dos preços do aço no México, no Brasil e nos Estados Unidos, especialmente nos negócios de ações de perfis estruturais e barras comerciais da empresa. O banco prevê resultados sólidos, com crescimento sequencial do Ebitda sustentado por outro forte desempenho nos Estados Unidos e por um ambiente ligeiramente melhor no Brasil.
O Itaú BBA também vê a Gerdau entre os destaques positivos da temporada. O banco projeta Ebitda de R$ 3,28 bilhões, alta de 11% na comparação trimestral, sustentado pela melhora das margens tanto no Brasil quanto na América do Norte. No mercado brasileiro, a instituição espera que a margem Ebitda alcance 9,7%, avanço de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, refletindo um mix de produtos mais favorável e um aumento de 3,5% nos preços domésticos. Já na América do Norte, a expectativa é de que a margem avance para 25,5%, alta de 1,4 ponto percentual, impulsionada por uma sazonalidade mais favorável e pela elevação de 4% nos preços em dólar.
Para o Safra, o desempenho da Gerdau deve ser impulsionado principalmente pelas operações da América do Norte e do Brasil. Na América do Norte, o Safra projeta crescimento de 7% no EBITDA, apoiado por maiores embarques e redução dos custos dos produtos vendidos por tonelada. No Brasil, a expectativa é de expansão de 15% no EBITDA, sustentada pelo aumento dos embarques e pela alta dos preços realizados no mercado doméstico. O Bradesco BBI também projeta crescimento do EBITDA da Gerdau, impulsionado por uma sazonalidade mais forte tanto no Brasil quanto nos EUA.
CSN (CSNA3): pressão da mineração e compensação do aço
O Itaú BBA espera que a CSN reporte Ebitda de R$ 2,53 bilhões no segundo trimestre. Segundo o banco, a queda no desempenho da mineração deve ser quase totalmente compensada pelos resultados mais fortes das operações de aço e dos demais negócios. A expectativa é de que o Ebitda da divisão de aço alcance R$ 572 milhões, alta de 45% na comparação trimestral, com margem de 9,7%, impulsionado pelo aumento de 9% nos volumes vendidos no mercado doméstico e de 5% nos preços. Já o Ebitda da mineração deve recuar 35% em relação ao trimestre anterior, para R$ 900 milhões, pressionado pelo aumento dos fretes e pela queda dos preços do minério.
Segundo estimativas do Safra, a CSN deve registrar EBITDA de aproximadamente R$ 2,3 bilhões, retração de 12% na comparação trimestral, devido ao desempenho mais fraco das divisões de mineração e energia. A equipe liderada pelo analista Rafael Barcellos, do Bradesco BBI, projeta uma piora dos números da CSN devido aos resultados mais fracos na divisão de mineração, e o fluxo de caixa livre deve permanecer sob pressão, embora tanto o aço quanto o cimento devam apresentar bons desempenhos. O JPMorgan, por sua vez, projeta uma leve contração dos resultados em relação ao trimestre anterior, uma vez que o desempenho sólido dos segmentos fora da mineração deve compensar parcialmente os impactos negativos dessa divisão.
Usiminas (USIM5): aço forte compensa mineração fraca
Para a Usiminas, o Itaú BBA projeta Ebitda de R$ 675 milhões, alta de 3% na comparação trimestral. O banco espera que a melhora do segmento de aço mais do que compense a fraqueza da mineração. A estimativa é de Ebitda de R$ 610 milhões para a divisão de aço, avanço de 12%, sustentado por um aumento de 4% nos preços. Em contrapartida, o Ebitda da mineração deve cair 43% frente ao trimestre anterior, para R$ 63 milhões, refletindo o impacto de fretes mais elevados e da valorização do real.
O Safra prevê EBITDA ajustado de R$ 658 milhões, resultado estável na comparação trimestral e ligeiramente acima do consenso do mercado. A melhora da divisão de siderurgia deve compensar a fraqueza da mineração, beneficiada por preços mais altos do aço no mercado interno. Para o Bradesco BBI, a Usiminas deve apresentar resultados estáveis em relação ao trimestre anterior, já que uma divisão de aço mais forte compensa o desempenho mais fraco da mineração.
Perguntas Frequentes
Quando a Usiminas divulga os resultados do 2T26?
A Usiminas (USIM5) divulga seus números na quinta-feira, 30 de julho, antes da abertura do mercado.
Qual a projeção de Ebitda da Gerdau para o 2T26?
O Itaú BBA projeta Ebitda de R$ 3,28 bilhões, alta de 11% na comparação trimestral, com margens em melhora no Brasil e na América do Norte.
O que esperar do Ebitda da CSN no 2T26?
O Itaú BBA espera Ebitda de R$ 2,53 bilhões, com a queda da mineração sendo quase totalmente compensada pelo aço. O Safra projeta aproximadamente R$ 2,3 bilhões.
A Usiminas deve ter crescimento no 2T26?
O Itaú BBA projeta Ebitda de R$ 675 milhões, alta de 3% na comparação trimestral, com o aço compensando a fraqueza da mineração.
Qual siderúrgica é a preferida dos analistas para o 2T26?
Gerdau e Usiminas são os destaques, segundo a XP, com o BTG ressaltando preferência por Gerdau devido aos preços do aço no México, Brasil e EUA.