SLC (SLCE3) dispara 7% após JPMorgan elevar recomendação para compra
SLC (SLCE3) dispara 7,72% após JPMorgan elevar recomendação de neutra para overweight e preço-alvo de R$ 18 para R$ 23. Banco vê fim de ciclo de crise no setor agrícola e melhora de margens em 2027. Entenda o que muda para o investidor.
As ações da SLC Agrícola (SLCE3) subiam 7,72% por volta das 10h35, cotadas a R$ 18,15, após o JPMorgan elevar a recomendação de neutra para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e o preço-alvo de R$ 18 para R$ 23. Com isso, a SLC passou a ser a principal escolha do banco no setor de agronegócio, à frente de 3tentos (TTEN3), São Martinho (SMTO3) e Adecoagro. A ação já acumulava alta de 20% em agosto, a maior valorização do Ibovespa no mês, mas deixou o índice no início de setembro.
O JPMorgan avalia que o setor agrícola brasileiro pode estar próximo de superar um ciclo de crise de aproximadamente três anos, que pressionou as margens e elevou a alavancagem. Os analistas Lucas Ferreira, Larissa Perez e Froylan Mendez enxergam uma combinação mais favorável entre preços e custos à frente, o que deve sustentar as margens. Para a SLC, que adotou estratégia eficiente na compra de fertilizantes e realizou hedges no momento adequado, o trio avalia que 2027 tende a ser um ano melhor.
Apesar do risco de El Niño no radar, o banco estima que a ação esteja negociando a 5,9 vezes EV/EBITDA projetado para 2027, ou a um retorno de fluxo de caixa livre (FCF yield) de 6,2%, ligeiramente abaixo da média histórica, mas com espaço para melhora. Os preços globais da soja subiram 13% no último mês e 26% no ano, enquanto o milho acumula alta de 16% no mês e 16% no ano. O algodão caiu 1% no mês, mas subiu 29% no ano. No mercado doméstico, a soja de referência em Paranaguá subiu 12% no mês e 14% no ano; o milho em Campinas avançou 9% no mês e 2% no ano.
Com os preços das commodities crescendo mais que os custos unitários, a perspectiva de melhora das margens da SLC em 2027 parece razoável e ainda não está refletida nas estimativas de consenso. Para o investidor, o movimento indica que o banco vê espaço para valorização adicional, mas o risco climático segue como variável de atenção.