Apple fora de recomendações de ações globais: o que mudou
A Apple, até então a segunda ação mais indicada entre as recomendações internacionais, saiu do ranking de setembro. O motivo: a alta do custo da memória para data centers, que pressiona a margem do próximo iPhone e reordena as apostas do mercado.
A Apple, que era a segunda ação mais indicada entre as recomendações internacionais, ficou de fora do ranking de setembro. O motivo, segundo analistas, é o custo da memória usada em data centers, que subiu e separou as empresas que vendem o componente daquelas que precisam comprá-lo. A redução do papel em uma das carteiras foi atribuída justamente à pressão do preço da memória sobre a margem do próximo iPhone.
O movimento acontece em um mês em que o mercado americano voltou a discutir alta de juros, não corte. O discurso do presidente do banco central em Jackson Hole, no fim de agosto, reabriu a possibilidade de um novo aumento já na decisão do dia 16, e o relatório de emprego divulgado na sexta-feira (4) reforçou esse lado da discussão. A mudança veio após um agosto favorável a quem carrega ativo dolarizado: o índice de BDRs subiu 6,04%, o segundo melhor desempenho entre os índices de renda variável da B3 no mês, atrás apenas do índice de ouro.
Com a saída da Apple, as posições se concentraram em quem fornece o que a expansão dos data centers consome. A Micron tornou-se a mais indicada, com a tese de que o mercado de memória segue subofertado e a oferta não se expande na velocidade da demanda. A memória de alta largura de banda, usada nos aceleradores de inteligência artificial, é vendida a um preço cerca de três vezes superior ao da memória tradicional, o que melhora o mix e a rentabilidade da companhia. A avaliação predominante é de que a capacidade de HBM da empresa para 2026 já está comprometida, e o lançamento de novas gerações de chips deve sustentar a demanda adiante.
A lista de setembro reflete, portanto, uma leitura clara: quem vende a infraestrutura da inteligência artificial ganha espaço, quem depende dela para montar seus produtos, como a Apple, perde. A pergunta que fica é se a pressão sobre as margens do iPhone é temporária ou se a fabricante precisará repassar o custo ao consumidor, o que pode esfriar a demanda em um mercado já competitivo. como a alta da memória afeta os preços de eletrônicos