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Faraó dos Bitcoins admite manipular criptomoedas em depoimento

ResumoGlaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins, admitiu em depoimento manipular criptomoedas em esquema que movimentou mais de R$ 38 bilhões. A confissão, revelada pelo Fantástico, detalha operações fraudulentas com potencial de 77 mil vítimas. Autoridades investigam o caso como pirâmide financeira, com base em relatos da esposa do acusado.

Em depoimentos inéditos revelados pelo Fantástico, o 'Faraó dos Bitcoins' e sua esposa detalham o esquema que, segundo as autoridades, movimentou mais de R$ 38 bilhões e pode ter deixado 77 mil vítimas.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 07 de setembro de 2026
Faraó dos Bitcoins admite manipular criptomoedas em depoimento

O 'Faraó dos Bitcoins' admitiu em juízo que manipulava o mercado de criptomoedas. Em depoimentos inéditos revelados pelo Fantástico, da TV Globo, Glaidson Acácio dos Santos e sua esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, detalharam o funcionamento do esquema que, segundo as autoridades, movimentou mais de R$ 38 bilhões e pode ter deixado 77 mil vítimas.

Glaidson se descreveu como uma 'baleia', apelido dado a investidores com ativos suficientes para influenciar o preço de mercado. 'Como baleia, eu consigo manipular outras criptomoedas. E entro em contato com outras baleias e vamos falar o seguinte: você aposta na queda, alavanca 10 vezes que nós vamos derreter o preço', explicou. 'No mercado, uns riem, outros vendem lenços.'

O casal é acusado de liderar uma organização criminosa que operava uma pirâmide financeira disfarçada de investimentos em criptomoedas, através da GAS Consultoria. Prometendo lucros acima do mercado, a empresa atraiu milhares de investidores, incluindo empresas, artistas, jogadores de futebol e pessoas com menor poder aquisitivo. Na Justiça, 77 mil credores cobram quase R$ 3 bilhões de ressarcimento.

Glaidson revelou como o dinheiro era transportado: 'Os meus funcionários iam, através de helicóptero, até São Paulo, levavam o recurso em espécie dos clientes, e as pessoas transferiam para minha carteira da GAS'. Preso desde 2021, ele também é acusado de mandar matar rivais em Cabo Frio.

Mirelis, foragida nos Estados Unidos até ser presa e deportada, negou gerenciar a carteira de clientes. 'Meu trabalho sempre foi estudar criptomoedas. Ele era quem se comunicava com os clientes', disse. O MPF a acusa de dividir a liderança do esquema. A carteira de Glaidson está em um cofre da Polícia Federal, e ele não revelou o valor, alegando risco à integridade física, mas afirmou ter dinheiro para pagar os credores.

Caso condenados, o casal e mais 15 pessoas podem pegar mais de 40 anos de prisão. A defesa de Glaidson diz que ele é inocente e que a interrupção dos pagamentos foi fruto de ordem judicial. Os advogados de Mirelis afirmam que ela não integrava a estrutura administrativa da empresa.

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