Quando largar uma ação com perda? Veja critérios
Ibovespa sobe, mas papéis surrados seguem no vermelho. Especialistas explicam quando largar uma ação com perda e por que o stop loss protege o investidor dele mesmo.
O Ibovespa voltou a subir nesta semana, apesar do recuo na sexta-feira (10), com o mercado precificando uma disputa eleitoral mais acirrada. A alta, porém, ainda está longe de compensar a perda de papéis mais surrados da Bolsa. Com a renda fixa atrativa, a pergunta volta: quando largar uma ação com perda?
Não existe regra única, mas definir limites antes de comprar é o consenso entre especialistas. O stop loss protege o investidor da própria emoção. Um parâmetro citado é a relação 1 para 3: se o alvo de lucro é 15%, o limite de perda seria 5%.
Renan Schroeder, head de varejo da Mirae Asset Brasil, afirma que a maioria dos investidores só pensa na venda quando o papel já caiu e o prejuízo passou do esperado. É aí que o investidor casa com o papel: sem coragem de assumir a perda, abdica de outras oportunidades. Ele lembra casos como Lojas Americanas, Gol, Magazine Luiza, Oi, Azul e Cogna. A Casas Bahia (BHIA3) chegou a valer R$ 400 em 2020 e era negociada a R$ 0,75 nesta semana, após pedido de recuperação judicial.
Flavio Terni, cofundador do family office Revert, diz que o limite de perda não protege o dinheiro, mas o investidor dele mesmo. Quando a ação cai, a tendência é buscar argumentos para ficar, porque vender significa admitir o erro. Ele vê três caminhos: definir percentual sobre o preço de entrada (perdeu 15% ou 20%, sai e reavalia), escrever a tese antes de comprar e sair se o motivo deixou de existir, e controlar o tamanho da posição. O limite mais importante não é onde se sai, é quanto se colocou.
Gustavo Assis, CEO da gestora Asset, reforça que queda isolada não indica venda. O sinal de alerta é a deterioração dos fundamentos: piora na geração de caixa, aumento do endividamento, redução de margens, mudança de governança ou perda de vantagem competitiva. Nesses casos, é preciso recalcular o valor justo.
Terni vê o caso da Squadra com Hapvida (HAPV3) como processo funcionando, não falhando. A gestora admitiu o erro aos cotistas, detalhou as falhas e redimensionou a posição. Para ele, quem investe em ações por tempo suficiente vai errar em algum papel.