Ibovespa cai 1,5% e dólar sobe: os motivos desta segunda
O Ibovespa operava em queda de 1,48% nesta segunda-feira, a 184.470 pontos, enquanto o dólar subia 1%, na casa dos R$ 5,17. Tensão com IA, petróleo perto de US$ 110 e pesquisas eleitorais pressionam o mercado brasileiro.
O Ibovespa abriu a semana em queda firme. Às 11h20 (horário de Brasília) desta segunda-feira (14), o índice recuava 1,48%, a 184.470 pontos, enquanto o dólar subia 1%, na casa dos R$ 5,17. Não é um movimento isolado: o dia combina pressão externa e tensão doméstica.
O que explica a queda do Ibovespa e a alta do dólar nesta segunda:
- Líderes da OpenAI e da Anthropic defenderam uma desaceleração no desenvolvimento da IA para gerenciar riscos.
- Ataques cibernéticos por agentes de IA e o descontentamento com centros de dados ampliaram a oposição ao setor.
- No Japão, a Kioxia despencou 9,8% e a Tokyo Electron caiu 3,7%. O Nasdaq futuro recuava mais de 1%.
- O petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 110 o barril com a guerra no Oriente Médio.
- Investidores buscaram ativos mais seguros, como o dólar.
Para quem acompanha o orçamento de perto, esse sobe e desce tem efeito prático: dólar mais caro encarece produtos importados e viagens, e a Bolsa em queda mexe com quem tem investimentos em ações ou fundos.
Segundo a Reuters, a maioria dos economistas consultados espera que o Federal Reserve aumente sua taxa de juros na quarta-feira e faça pelo menos mais um aumento até o fim de março. Os mercados apostam em alta de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%. A decisão sai às 15h (horário de Brasília) de quarta.
No Brasil, a projeção é de que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva na quarta-feira, segundo pesquisa da Reuters com economistas. A 14,00%, a Selic segue entre as taxas mais altas do mundo entre as principais economias. O Copom deve manter o tom restritivo diante das pressões inflacionárias.
No campo político, o presidente do STF, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que vai a julgamento no plenário na próxima terça-feira. Fachin também marcou para o dia 23 o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master. O ministro Flávio Dino retirou o sigilo das investigações sobre suposto desvio de emendas parlamentares para o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O mercado também digere as pesquisas eleitorais. A Quaest/O Globo, divulgada após a abertura, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42% contra 40% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno, em empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos. Na pesquisa anterior, ambos tinham 41%. No primeiro turno, Lula manteve 36% e Flávio subiu de 29% para 31%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, ante 8%. A Quaest ouviu 2.003 pessoas entre 10 e 13 de setembro. Após a divulgação, às 10h15, o Ibovespa chegou a diminuir perdas, mas elas logo se intensificaram.
Na sexta-feira, pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem numérica de Lula sobre Flávio em eventual segundo turno se manteve. Nesta segunda, levantamento BTG/Nexus apontou que Lula ampliou a vantagem no primeiro turno e passou a ter um ponto percentual de vantagem no segundo, ainda em empate técnico.
A alta do petróleo impulsiona ações do setor, mas outras commodities recuam. As ações da Vale (VALE3) caem mais de 2% com a baixa do minério. Para o investidor pessoa física, o recado é o de sempre: olhar o orçamento antes de reagir ao noticiário. como montar reserva de emergência