Investimentos

Private equity da América Latina gera valor rápido, mas enfrenta IA

ResumoO private equity na América Latina gera valor rápido, mas enfrenta desafios na adoção de inteligência artificial. Apenas 36% dos líderes do setor utilizam IA com frequência, segundo relatório da FTI Consulting. A implementação limitada da tecnologia contrasta com a capacidade de geração de retornos rápidos na região.

Embora o private equity na América Latina gere valor rapidamente, a região ainda enfrenta dificuldades na implementação de inteligência artificial, de acordo com um relatório da FTI Consulting. Apenas 36% dos líderes do setor adotam IA frequentemente.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 26 de julho de 2026
Private equity da América Latina gera valor rápido, mas enfrenta IA

Private equity da América Latina gera valor mais rápido, mas tropeça em IA

Apesar da rapidez com que o private equity na América Latina gera valor, a região ainda enfrenta desafios na implementação de inteligência artificial (IA). Um relatório da FTI Consulting revela que apenas 36% dos entrevistados adotam IA frequentemente, enquanto a média global é de 48%.

O Índice de Criação de Valor em Private Equity entrevistou 555 líderes seniores do setor. Os participantes avaliaram nove alavancas de criação de valor, tanto comercial quanto operacional.

De acordo com o estudo, a conversão de caixa e a otimização do capital de giro na América Latina geram valor acima das expectativas para os fundos, com uma taxa de 74%. Para comparação, a média global é de 53%.

Samuel Aguirre, diretor executivo e head da FTI Consulting no Brasil, explica que a velocidade na criação de valor é impulsionada pelo custo de capital, exacerbado pelas altas taxas de juros. "A liquidez é sempre apertada, então há um incentivo natural para tentar ser ágil", afirma em entrevista ao InfoMoney.

Além disso, Aguirre destaca a crescente atividade de fusões e aquisições (M&A) nas empresas investidas pelos fundos de private equity como uma estratégia de valor. A pesquisa aponta que 78% dos respondentes utilizam M&A, ficando atrás apenas da estratégia de precificação.

O cenário global indica a crescente importância dos M&As. Desde 2025, as fusões e aquisições passaram de uma prioridade inferior para a principal entre os mercados. No entanto, essa estratégia é frequentemente vista como a de retorno mais lento, com apenas 25% dos gestores considerando-a como a mais rápida.

Aguirre explica que as exigências do mercado em relação aos M&As aumentaram. "Menores possibilidades de crescimento orgânico podem levar os gestores a precisarem comprar outras empresas", observa.

O termo "playbook" no mercado de private equity refere-se à estratégia adotada pelos fundos desde a entrada até a saída do investimento. O levantamento da FTI Consulting revela que gestores de alta performance têm 2,3 vezes mais probabilidade de utilizar playbooks padronizados.

Aguirre enfatiza que pensar na saída após a compra é um erro. "O gestor precisa saber exatamente como fazer as coisas e ter um negócio bem padronizado", discorre. "Isso diferencia uma boa gestora de uma gestora medíocre."

Na América Latina, apenas 15% dos líderes de private equity perceberam facilidade na implementação de IA, comparado a uma média global de 31%. A disparidade em relação à região da Ásia-Pacífico, onde o número chega a 48%, é ainda mais acentuada.

Aguirre sugere que a escassez de especialistas na América Latina pode ser um fator explicativo. Ele acredita que faltam profissionais e consultorias capazes de acelerar a implementação adequada das ferramentas.

"Não vejo isso como um problema. Se existem exemplos fora da região, isso pode facilitar a execução pelos private equities", analisa. "Embora a confiança em IA tenha caído de 2025 a 2026, aprendeu-se que é importante aplicar. Para 2027, imagino um foco maior nessa área."

A pesquisa também revela que a percepção da maturidade da IA como fator de saída caiu de 59% para apenas 12% em um ano. "A ênfase que os líderes de private equity estão colocando em IA é muito diferente do que foi no ano passado", conclui Aguirre.

Perguntas Frequentes

O que é private equity?

Private equity refere-se a investimentos em empresas não listadas em bolsas de valores, geralmente envolvendo a aquisição total ou parcial dessas empresas.

Quais são os principais desafios do private equity na América Latina?

Os principais desafios incluem a implementação de inteligência artificial e as exigências crescentes do mercado para fusões e aquisições.

Como a inteligência artificial impacta o private equity?

A IA pode aumentar a eficiência operacional e melhorar a tomada de decisões, mas sua adoção na América Latina ainda é baixa, com apenas 36% de adoção frequente entre os líderes do setor.

Leia também

Publicidade