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LVMH vê ações caírem 55% desde 2023 e deixa ranking da Europa

ResumoA LVMH acumula queda de aproximadamente 55% no valor de suas ações desde o pico de 2023, perdendo o posto de empresa mais valiosa da França e saindo do ranking das dez maiores companhias da Europa. O recuo reflete a desaceleração da demanda por artigos de luxo, sobretudo na China e na Ásia.

A LVMH está prestes a perder o título de empresa mais valiosa da França e sair do ranking das 10 maiores da Europa, após as ações caírem cerca de 55% desde o pico de 2023. Entenda o que está por trás do recuo.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 15 de setembro de 2026
LVMH vê ações caírem 55% desde 2023 e deixa ranking da Europa

A LVMH está prestes a perder o título de empresa mais valiosa da França e a deixar o ranking das 10 maiores companhias de capital aberto da Europa. É uma reviravolta simbólica para a gigante do luxo que liderou o mercado da região durante o boom pós-pandêmico, segundo a Bloomberg.

As ações recuaram 2,6% na terça-feira (15), o que reduziu a capitalização de mercado para 201 bilhões de euros (US$ 232 bilhões) e colocou a companhia logo abaixo da L'Oréal. O movimento tira a LVMH do top 10 europeu pela primeira vez desde 2017.

A gente costuma olhar para esse tipo de manchete e pensar em bolha ou em colapso definitivo. Vale separar as camadas. A LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton foi a empresa mais valiosa da Europa em seu pico de 2023, quando as ações chegaram a € 900 cada. De lá para cá, a queda acumulada é de cerca de 55%. Só neste ano, o recuo chega a aproximadamente 37%, o que levou os papéis de volta aos níveis da era da pandemia, quando os lockdowns fecharam lojas em todo o mundo. A magnitude atual é semelhante à registrada durante a crise financeira global.

Dois fatores aparecem como pano de fundo. A demanda por artigos de luxo diminuiu no crucial mercado chinês. Mais recentemente, o conflito no Oriente Médio afetou os gastos nos principais centros comerciais. Para agravar a pressão, a Louis Vuitton, a marca mais lucrativa da LVMH, enfrentou uma reação negativa dos consumidores na China devido a uma disputa de marca registrada com uma empresa local de chá, o que agravou seus desafios no país. Várias corretoras reduziram as classificações e os preços-alvo.

O conglomerado controlado pelo bilionário Bernard Arnault também sentiu o efeito no patrimônio pessoal. De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, Arnault saiu na semana passada da lista dos 10 maiores patrimônios do mundo, deixando um grupo exclusivamente americano, composto principalmente por bilionários do setor de tecnologia, para dominar o ranking.

O estrategista-chefe de investimentos do ING em Bruxelas, Vincent Juvyns, foi direto ao ponto sobre o que o caso revela. "Aqueles que afirmam que a Europa está de volta estão errados; a Europa não está de volta: o que a LVMH nos mostra é que seu principal motor de crescimento, o setor de luxo, está em crise", afirmou.

Para quem acompanha o setor, o episódio ajuda a separar fundamento de narrativa. O luxo europeu construiu parte de sua valorização sobre a expectativa de consumo chinês constante. Quando essa expectativa enfraquece, o ajuste de preço aparece rápido. A pergunta que fica não é se a LVMH volta ao top 10, mas quanto do valuation ainda dependia de uma recuperação que não veio no ritmo esperado.

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