Bond proxies: bancos recomendam aumentar exposição
Itaú BBA e Bank of America recomendam aumentar exposição a ações bond proxies diante da possibilidade de desaceleração da economia em 2027. Correlação com juros reais chega a -0,55 em shopping centers, e as preferências incluem Axia, Equatorial e Multiplan.
Se você acompanha seus investimentos de perto, já deve ter percebido que o vento mudou de direção. Após o Bank of America (BofA), o Itaú BBA recomenda aumentar a exposição a ações bond proxies, que se comportam de forma parecida com títulos de dívida, diante da possibilidade de desaceleração da economia brasileira em 2027.
Bond proxies são ações com menor dependência do ciclo econômico e maior sensibilidade à trajetória da Selic. Em geral, oferecem retorno mais estável e pagam dividendos consistentes. Segundo o Itaú BBA, esse grupo apresenta hoje a maior correlação negativa com os juros reais entre as categorias analisadas, o que reforça sua atratividade em um cenário de queda dos juros.
O que os números mostram
A correlação em 12 meses é de -0,42 para bond proxies, contra -0,35 para empresas domésticas, -0,32 para financeiras e -0,17 para commodities e exportadoras. Entre os segmentos, shopping centers lideram a sensibilidade, com correlação de -0,55 com os juros reais de 10 anos. Utilities, rodovias e telecomunicações aparecem na sequência, com -0,41, -0,39 e -0,37, respectivamente. Os dados foram apresentados pelo Itaú BBA em sua série de debates Bull & Bear, em 10 de setembro.
As preferidas do Itaú BBA
Entre as principais escolhas do banco estão Axia, Equatorial e Multiplan, que oferecem exposição a infraestrutura, utilities e shopping centers. O BBA também mantém Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSP3), Copel (CPLE3) e Allos (ALOS3) em sua carteira mais ampla de empresas sensíveis aos juros.
No setor elétrico e de saneamento, Eneva é a principal preferência, com mais de 75% do EBITDA contratado até 2030, potencial de alta de 13% e catalisadores que podem adicionar até R$ 3,50 por ação até o fim de outubro. Axia aparece com dividend yield médio estimado em 12,5% entre 2026 e 2029. Energisa e Equatorial têm potenciais de alta estimados em 70% e 66%, respectivamente.
Entre as administradoras de shopping centers, a preferência é a Multiplan, com exposição a ativos de alta renda e histórico de repasse de preços. A empresa negocia com TIR real de aproximadamente 11%, equivalente a um prêmio de 300 pontos-base sobre a média histórica de 250 pontos-base. O BBA também a considera a principal beneficiária da reforma tributária a partir de 2027.
No setor de transportes, Ecorodovias (ECOR3) é a escolha preferida, com retorno interno real estimado em cerca de 12%, sustentado por tráfego resiliente, receitas vinculadas à inflação e margens estáveis. Por outro lado, Rumo (RAIL3) e Hidrovias (HBSA3) podem enfrentar pressão caso o fenômeno El Niño prejudique os volumes de grãos no próximo ano.
Em telecomunicações, o BBA mantém posição cautelosa, com recomendação neutra diante da competição acirrada e das dúvidas sobre a recuperação do mercado. A preferência relativa é a Vivo, considerada mais resiliente em receita média por usuário, com maior exposição à alta renda e dividend yield estimado em cerca de 8% para 2026. A TIM chama atenção pelo dividend yield de aproximadamente 12%, mas o banco ressalta o ritmo mais fraco de crescimento da base de assinantes.
As escolhas do BofA
O BofA aponta Equatorial (EQTL3), Ecorodovias (ECOR3) e Allos (ALOS3) entre suas bond proxies preferidas. A Equatorial é a principal escolha entre as empresas de energia para um cenário de maior apetite a risco, com sensibilidade aos juros de curto prazo e TIR real de aproximadamente 12%. A Axia (AXIA3) pode ter bom desempenho tanto em ambiente de maior apetite a risco quanto em cenário defensivo, com maior beta dentro da cobertura e dividend yield estimado entre 11% e 15% em 2026 e 2027.
Para investidores mais cautelosos, a ISA Energia (ISAE4) é a principal escolha defensiva, com TIR real de aproximadamente 10% e potencial de alta superior a 15% caso seja solucionada sua obrigação previdenciária. O banco mantém preferência por Motiva (MOTV3) e Ecorodovias em relação à Rumo (RAIL3). Apesar de considerar as TIRs do setor de shoppings pouco atrativas em relação a outras bond proxies, o BofA mantém a Allos (ALOS3) como principal escolha. Assim como o BBA, vê Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) com cautela.
Se o seu orçamento está apertado e você pensa em renda variável, vale lembrar: bond proxies não são poupança. Elas oscilam, e a correlação negativa com juros não garante ganho. O caminho é entender o risco antes de qualquer passo.