Ibovespa cai com Petrobras e crise no STF; veja o que muda
Ibovespa recua nesta Superquarta com Petrobras pressionada pelo petróleo e impasse no STF. Entenda os números do dia e o que Fed e Copom decidem hoje.
O Ibovespa recua nesta quarta-feira, 16, após fechar em alta de 0,54% no dia anterior, aos 186.502,64 pontos. A queda é puxada principalmente por ações de primeira linha, mais demandadas por investidores estrangeiros, e reflete em parte a desvalorização do petróleo e temores ligados ao impasse no Supremo Tribunal Federal (STF).
O índice renovou mínima do dia aos 184.753,98 pontos (-0,94%). O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, virou para o negativo (-0,73%), sinal da saída de capital estrangeiro. Às 11h38, o Ibovespa cedia 0,48%, aos 185.615,19 pontos. O giro financeiro pode superar a média diária de cerca de R$ 15 bilhões, por causa do vencimento de opções sobre Ibovespa.
Petrobras e o setor de petróleo sob pressão
A baixa do petróleo pesa sobre as ações do setor, com queda de cerca de 2% nos papéis. O movimento ocorre após o avanço da commodity na terça-feira, que havia sustentado a alta do índice. Para o investidor com posição em Petrobras, o recado é direto: o preço do barril continua sendo o principal driver de curto prazo.
O impasse no STF e o efeito nas pesquisas
O julgamento no STF chegou a 4 a 4 até que o ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo a sessão. Segundo ele, era necessário mais tempo para analisar a questão diante do clima de hostilidade entre os ministros.
O desfecho indefinido pode gerar a interpretação de que o impasse e a tentativa de evitar a investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes são negativos para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria. Em nota, ele escreve que o cenário pode alimentar o momento positivo da oposição nas pesquisas.
O sócio da Tendências pondera que as incertezas elevadas e o receio com fatos novos que possam atingir Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sustentam certa cautela. "Para os preços dos ativos, temos de ver como esse imbróglio terá impacto nas intenções de voto. Seria um evento com força para prejudicar o presidente Lula na margem", diz Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil.
Segundo Marianna, as próximas pesquisas eleitorais serão importantes para avaliar se o fortalecimento de um dos principais nomes da oposição na disputa continuará. "Pode ser que perca força na margem, pela ideia do que já foi incorporado", afirma.
Fed e Copom decidem nesta Superquarta
Investidores aguardam as decisões do Federal Reserve, às 15h, e do Copom, às 18h30. O IBC-Br caiu 0,22% em julho ante junho, mais que a mediana negativa de 0,10%, reforçando análises de arrefecimento da atividade. Com isso, o Copom deve cortar a Selic para 13,75%, de 14%.
"Nos EUA, as vendas do varejo vieram mais fortes em agosto, o que corrobora a expectativa de altas dos juros nesta quarta-feira. Com o resultado, pode ser que o Fed tenha de promover novas altas", diz Marianna. No Brasil, acrescenta, o IBC-Br indica que a atividade iniciou o terceiro trimestre mais fraca do que o esperado. "Então, a queda de 0,25 ponto porcentual na Selic hoje está dada."
Para quem tem dinheiro em renda fixa, a decisão do Copom redefine o retorno dos próximos meses. Para quem está na bolsa, o jogo é outro: o que importa é o ritmo de queda dos juros daqui para frente e o que o Fed sinaliza sobre os EUA.