Investimentos

13 ações pagam dividendos acima do CDI após corte da Selic

ResumoA Economatica identificou 13 ações com dividend yield acima do CDI após o Copom cortar a Selic para 13,75% ao ano. Nove dessas ações apresentaram retorno total negativo, indicando que o dividendo elevado decorreu da queda na cotação e não de lucro maior.

O Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano e 13 ações ainda pagam dividend yield acima do CDI, segundo a Economatica. Mas nove delas entregaram retorno total negativo: o dividendo alto veio da queda da cotação, não de lucro maior.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 16 de setembro de 2026
13 ações pagam dividendos acima do CDI após corte da Selic

O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16), em mais um corte do ciclo iniciado em março. Com o CDI em torno de 13,60%, treze ações da bolsa brasileira ainda oferecem dividend yield, o retorno apenas com proventos, acima da renda fixa, segundo dados da Economatica. O detalhe que muda a leitura: na maioria delas, o dividendo generoso não compensou a queda da cotação.

Nove das treze entregaram retorno total negativo no período, somando dividendos e variação do preço. Quem comprou há um ano recebeu os proventos e, mesmo assim, saiu perdendo. O estudo considerou papéis do Ibovespa, do Índice de Dividendos (Idiv) e do IBrX 100, com o DY calculado sobre a cotação atual a partir dos proventos distribuídos nos últimos 12 meses. A projeção só se sustenta se a política de dividendos e os lucros se mantiverem.

O dividendo alto que esconde prejuízo

A Azzas 2154 ilustra o problema. O dividend yield de 16,18% convive com a maior perda da lista porque a ação derreteu, e não porque a companhia esteja distribuindo bem. A empresa anunciou neste mês a cisão que desfaz a fusão entre Arezzo e Grupo Soma, depois de meses de disputa entre os blocos de Alexandre Birman e Roberto Jatahy, que chegou à Justiça e à arbitragem. O lucro recorrente do segundo trimestre caiu mais de 60%.

A Grendene lidera o ranking de DY mais uma vez, mas agora com retorno total negativo. O yield de 40% não vem de melhora nos proventos, e sim da combinação entre os dividendos extraordinários pagos em 2025 e a queda contínua da cotação. Descontados os eventos não recorrentes, o dividendo histórico da fabricante de calçados fica na faixa de um dígito.

Quem realmente entrega retorno nas duas pontas

Apenas quatro papéis combinaram dividendo acima do CDI com retorno total positivo. E só um entrega retorno nas duas pontas: a Log, que tem DY alto e também valorizou na bolsa. O nível de distribuição, no entanto, não se repetirá, já que o payout voltou ao mínimo obrigatório de 25% neste ano, ante 50% em 2025, para financiar o plano de expansão. A operação segue saudável, com vacância mínima, mas quem entrar agora atrás do dividendo histórico deve se decepcionar.

Nas outras três, foi o dividendo que compensou a queda da cotação e manteve o investidor no azul. A Cury tem o perfil mais consistente, com distribuições crescentes ao longo de 2026, sustentadas por lucro e receita em alta, e três anos seguidos de aumento nos proventos, com payout em torno da metade do lucro. A Moura Dubeux oferece outro tipo de segurança: aprovou no fim do ano passado um programa de dividendos dividido em sete parcelas trimestrais que vai até o terceiro trimestre de 2027, dando visibilidade rara no setor.

Cinco das treze empresas são incorporadoras e, somando a Log, chega a seis papéis ligados ao setor imobiliário. A concentração se explica pelo ciclo de juros, já que o setor foi dos mais penalizados pelo custo de capital elevado e viu as cotações recuarem mais rápido do que os resultados, o que inflou mecanicamente o dividend yield. Para quem olha só o número do DY, a pergunta que fica é quem paga a conta de um rendimento que aparece no papel mas some da carteira.

Leia também

Publicidade