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Hypera: Semavy no preço? Por que analistas veem HYPE3

ResumoA Hypera (HYPE3) é recomendada para compra pelo Itaú BBA e pela XP, que enxergam potencial de valorização não refletido no preço da ação, com alta de apenas 2% no ano. O Semavy, caneta de semaglutida da farmacêutica, é apontado como catalisador relevante ainda não precificado pelo mercado.

Itaú BBA e XP reiteram recomendação de compra para HYPE3, que sobe apenas 2% no ano. Analistas veem o Semavy, caneta de semaglutida, como catalisador ainda não refletido no preço da ação.

Wagner Sobral
Wagner Sobral Repórter de mercado financeiro · 15 de setembro de 2026
Hypera: Semavy no preço? Por que analistas veem HYPE3

As ações da Hypera (HYPE3) acumulam alta de apenas 2% no ano e ficam atrás do Ibovespa. Mesmo assim, Itaú BBA e XP Investimentos reiteraram recomendação de compra. O motivo apontado pelos analistas é o Semavy, caneta injetável à base de semaglutida lançada pela companhia, cujo potencial de receita ainda não estaria refletido no preço.

O banco destaca que a Hypera negocia a cerca de 8 vezes o preço sobre o lucro (P/L) estimado para 2027. No último mês, a ação ficou cerca de 8 pontos percentuais abaixo do Ibovespa, o que, na avaliação do BBA, reforça uma relação de risco e retorno favorável.

O que o Semavy pode adicionar

O Itaú BBA afirma que os primeiros sinais para medicamentos nacionais da classe GLP-1 são positivos. Maior divulgação entre especialidades médicas, engajamento com médicos e descontos podem ampliar a adoção. O banco estima que o primeiro pedido de 400 mil canetas gere R$ 75 milhões de receita bruta no terceiro e no quarto trimestres de 2026, e R$ 120 milhões por trimestre em 2027, totalizando R$ 480 milhões no próximo ano.

A XP também vê espaço para contribuição. Segundo o analista Gustavo Tiseo, os dados iniciais indicam que precificação e disponibilidade estão, de forma geral, alinhadas às dos concorrentes, como o Ozivy, da EMS. Isso reduz o risco de erosão significativa de valor nesta fase. Mantido esse ambiente, a XP projeta que o Semavy acrescente entre 1% e 8% à receita da Hypera em 2027 e entre 0,6% e 3,7% ao EBITDA. No cenário-base, incorporou cerca de R$ 400 milhões de receita e R$ 60 milhões de EBITDA adicionais em 2027.

O que o release omite sobre o curto prazo

O impacto inicial sobre o EBITDA deve ser mais limitado, segundo o Itaú BBA. Despesas com marketing e investimentos para promover o produto consomem parte da receita incremental na fase de expansão. A XP avalia que a contribuição se torna mais relevante à medida que as vendas ao consumidor final ganhem escala.

O BBA projeta fluxo de caixa livre para o acionista de R$ 1,1 bilhão em 2026 e espera que a melhora na geração de caixa e a redução da alavancagem contribuam para o lucro por ação. Mesmo sem o Semavy, o banco considera a relação risco e retorno favorável.

Na semana passada, o Bradesco BBI reiterou compra para HYPE3, elevando o preço-alvo de R$ 27 em 2026 para R$ 30 em 2027. O BBI estima receita de R$ 300 milhões com o Semavy no próximo ano, adicionando 2,8 pontos percentuais ao crescimento, com margem EBITDA de 15%. Excluindo o medicamento, a receita avançaria 8,5%, com margem EBITDA de 32%. A contribuição do Semavy representa pressão de 0,3 ponto percentual sobre a margem consolidada. As projeções incluem lançamentos previstos para 2027, como dapagliflozina, empagliflozina, fezolinetanto, via parceria com a Astellas, e lisdexanfetamina, que juntos atendem a um mercado estimado em cerca de R$ 7 bilhões, ou 5% do mercado endereçável da Hypera em 2025.

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