Investimentos

Fluxo estrangeiro, tech e varejo: destaques da semana

ResumoO investimento estrangeiro retornou à bolsa brasileira em setembro, revertendo as saídas registradas em agosto. O setor de tecnologia liderou o ranking setorial nos Estados Unidos no mesmo período, enquanto varejistas de vestuário enfrentaram um trimestre fraco.

Capital internacional retoma aportes na bolsa brasileira em setembro, após saídas no mês anterior. Setor tech lidera ranking setorial nos EUA, enquanto varejistas de vestuário enfrentam trimestre fraco.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 14 de setembro de 2026
Fluxo estrangeiro, tech e varejo: destaques da semana

O capital internacional registra movimento de retomada no mercado acionário brasileiro neste início de setembro, após as saídas apuradas no mês anterior. A atratividade dos múltiplos descontados, aliada a ajustes na dinâmica da inflação, às projeções de juros e à evolução do ambiente eleitoral, reposiciona os ativos domésticos nas estratégias de alocação de investidores globais.

Os aportes estrangeiros na bolsa brasileira somaram R$ 3,9 bilhões no segmento à vista e R$ 6,8 bilhões nos contratos futuros ao longo do mês. O saldo positivo acumulado no ano alcança R$ 26,9 bilhões nas negociações à vista, montante ainda distante do topo de R$ 69,1 bilhões registrado em meados de abril. A trajetória dos fluxos deve continuar exposta a oscilações mais intensas no curto prazo, refletindo o andamento do calendário e das disputas eleitorais no país.

Setor tech assume liderança nos EUA

No cenário internacional, a recomendação para o mercado acionário norte-americano ganhou novo direcionamento com o setor de tecnologia assumindo a liderança do ranking setorial, acompanhado pelos segmentos de comunicação e financeiro. A perspectiva para o mercado de tecnologia nos Estados Unidos permanece otimista, com foco em frentes que apresentam maior visibilidade de receita e sustentabilidade financeira. As oportunidades mais promissoras concentram-se na cadeia de semicondutores e infraestrutura, impulsionadas pela oferta restrita perante a forte demanda, além de empresas de software que já transformam soluções em inteligência artificial em faturamento recorrente.

A estratégia de alocação para o período passou por reformulações pontuais, com a diminuição das posições em crédito privado pós-fixado e o aumento da parcela em títulos prefixados, além do encurtamento do prazo médio sugerido de quatro para três anos. No mercado local, o cenário exige postura criteriosa na escolha de ativos em renda fixa e ações, buscando capturar oportunidades abertas pelo prêmio de risco elevado. No âmbito internacional, a alocação em renda variável segue impulsionada pelas teses ligadas à inteligência artificial. Para reforçar a proteção e a diversificação dos portfólios, a alocação em ativos alternativos, como o ouro, permanece recomendada.

Varejistas de vestuário e crédito bancário

Temperaturas mais baixas podem impulsionar no curto prazo as varejistas de vestuário após um segundo trimestre fraco de 2026. O setor enfrentou menor fluxo de clientes durante a Copa do Mundo até meados de julho e lida com a isenção fiscal definitiva para importações de até US$ 50. Categorias específicas podem se beneficiar caso haja uma transição antecipada para o calor.

Mesmo com a expansão dos empréstimos no segundo trimestre de 2026, as taxas de juros altas e o avanço da inadimplência forçaram os bancos a fechar a torneira para operações de maior risco. O balanço dos seis maiores conglomerados do país, responsáveis por quase três quartos do crédito nacional, aponta para um sistema robusto e capitalizado, mas revela discrepâncias marcantes de rentabilidade e perfil de risco conforme a composição da carteira e a estratégia de concessão de cada instituição.

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